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Nacional

Presidente Lula defende soberania sobre minerais críticos

29 de July de 2025 às 8:46
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu na segunda-feira (28) a soberania do Brasil sobre seus minerais críticos e afirmou que as riquezas do país devem beneficiar diretamente o povo brasileiro. Durante evento em São João da Barra (RJ), Lula criticou o interesse de potências estrangeiras nessas reservas e disse que empresas privadas poderão atuar na pesquisa mineral, mas sempre “sob o nosso controle”.

“Eu fiquei sabendo que os Estados Unidos vão ajudar a Ucrânia (na guerra contra a Rússia), mas estão querendo ter privilégio nos minerais críticos da Ucrânia. Esses dias eu li que os Estados Unidos têm interesse nos minerais críticos do Brasil. Ora, se eu nem conheço esse minério, e ele já é crítico, eu vou pegar ele para mim. Por que que eu vou deixar para outro pegar?”, afirmou o presidente.

Os chamados minerais críticos — ou de terras raras — são considerados essenciais para a transição energética por serem insumos de tecnologias como baterias, painéis solares, turbinas eólicas e cabos de transmissão. Há demanda crescente por cobre, silício, níquel, lítio, bauxita e alumina, entre outros.

Segundo o Governo Federal, o Brasil ainda não conhece plenamente o seu potencial mineral. Lula informou que está sendo criada uma “comissão ultraespecial” para mapear os recursos naturais do país e estabelecer regras para sua exploração. De acordo com ele, cerca de 70% do território nacional ainda não foi adequadamente pesquisado.

“Nós temos que dar autorização para a empresa pesquisar sob o nosso controle. A hora que a gente der autorização para uma empresa, e ela achar, ela não pode vender sem conversar com o governo e, muito menos, ela vai poder vender a área que tem o minério, porque aquilo é nosso”, declarou. “O povo brasileiro tem que ter direito de usufruir da riqueza que essas coisas podem produzir. É simples assim. A gente não quer nada dos outros, a gente quer apenas garantir que aquilo que é nosso possa gerar riqueza para que este país deixe de ser um país eternamente em via de desenvolvimento e seja um país altamente desenvolvido”, completou.

Durante o discurso, o presidente também relacionou o aproveitamento das riquezas naturais à política educacional.

Segundo ele, a qualificação da população é fundamental para garantir a competitividade do Brasil no cenário internacional. “A qualificação do nosso povo é que vai garantir a competitividade do Brasil, produtividade na escala e competitividade na qualidade. Porque não tem país do mundo que tenha se desenvolvido que, antes, não tenha feito investimento na educação”, disse.

Termelétrica

A defesa da soberania sobre os recursos minerais foi feita na cerimônia de inauguração da Usina Termelétrica GNA II, no Porto do Açu, também em São João da Barra. Com investimento de R$ 7 bilhões, o empreendimento faz parte do maior complexo de geração de energia a gás natural da América Latina, com capacidade instalada de 3 gigawatts (GW).

A nova planta foi selecionada como projeto estratégico do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e foi projetada para operar em ciclo combinado — tecnologia de alta eficiência que consome menos combustível e reduz as emissões de carbono. Além disso, a usina poderá futuramente operar com até 50% de hidrogênio em substituição ao gás natural, o que, segundo o governo, representa um avanço na transição energética gradual e segura. A utilização de água do mar no processo de resfriamento também está prevista como forma de preservar recursos hídricos.

Com capacidade para abastecer até 8 milhões de residências, a GNA II representa cerca de 10% da geração de energia a gás natural na matriz elétrica nacional. Com a operação conjunta das usinas GNA I e II, o complexo soma R$ 12 bilhões em investimentos e fornece energia suficiente para cerca de 14 milhões de residências. No auge das obras, foram gerados 22 mil empregos diretos.

Ao participar da inauguração, Lula afirmou que o Brasil reúne condições para liderar a transição energética global. “Acreditem, em se tratando de transição energética, o Brasil pode ser um país imbatível”, afirmou. Ele também recordou uma visita ao local em 2012, quando o projeto ainda era apenas uma proposta inicial. “Aquilo que parecia um sonho distante virou realidade. E isso só acontece quando a gente acredita que é possível fazer”, disse.

Segurança

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, acompanhou o presidente na cerimônia e reiterou que a GNA II é fruto de um esforço do Governo Federal para garantir segurança energética aliada à sustentabilidade. “Seu governo, presidente, convenceu as empresas estrangeiras a voltarem a investir aqui, deixarem de lado o capital especulativo e volátil. Confiarem em investimentos de longo prazo, rentáveis, gerando emprego e renda para a nossa gente”, disse Silveira.

 

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