Região Norte
Super Terminais reforça plano para enfrentar nova seca no Amazonas
Empresa mantém estrutura pronta para Itacoatiara e aponta redução nos riscos logísticos para este ano
Após duas secas históricas que comprometeram o transporte de cargas e a produção industrial no Amazonas, a Super Terminais já se prepara para o novo período de estiagem previsto para o segundo semestre deste ano. Embora a expectativa seja de uma vazante menos severa que a de 2023 e 2024, a empresa mantém um plano de contingência pronto para ser executado em até dez dias, caso haja necessidade de reativar a estrutura provisória em Itacoatiara (AM), ponto estratégico no trecho mais crítico do Rio Amazonas.
“Aprendemos com os últimos anos. Em 2025, desde o início do ano, estamos acompanhando diariamente o comportamento do rio e conversando com armadores, indústrias e fornecedores. Estamos preparados para agir rapidamente”, afirmou Marcello Di Gregório, diretor da Super Terminais, em entrevista ao repórter Paulo José Ribeiro, da TV BE News.
Segundo o executivo, a antecipação de estoques pelas indústrias, motivada pelo trauma recente, impulsionou significativamente o volume de cargas no início do ano. “Registramos no primeiro semestre de 2025 um volume 25% maior do que em 2024. Esse é um dado novo que estamos trazendo. As empresas se adiantaram com medo de novas paralisações e muitas já estão super estocadas”, afirmou.

Marcello Di Gregorio, da Super Terminais, durante entrevista à TV BE News (Reprodução)
Apesar da cheia do Rio Negro ter alcançado 29,05 metros em julho, a segunda maior desde 2021, a preocupação agora é com a velocidade da vazante. De acordo com Di Gregório, o ritmo de descida tem sido mais lento que em 2024, o que reduz os riscos imediatos, mas não elimina a necessidade de precaução. A projeção é de perda de 20% a 30% na capacidade de carga dos navios, caso o nível continue caindo.
Além da estratégia em Itacoatiara, a Super Terminais já iniciou os trâmites junto aos órgãos competentes para manter em funcionamento a cadeia logística durante a seca. As autorizações da Marinha e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) já foram obtidas, restando apenas as licenças de órgãos anuentes como a Receita Federal.
Solução
Di Gregório defende a dragagem permanente como solução estrutural para o problema logístico enfrentado anualmente pela região. Segundo ele, a dragagem pontual realizada nos últimos dois anos não foi suficiente. “Em 2023, ficamos 65 dias sem receber navios e 30 dias sem receber um único contêiner. Em 2024, só evitamos algo pior graças à operação emergencial em Itacoatiara.”
Para o diretor, a solução passa por um esforço coordenado entre os terminais, os armadores, os órgãos reguladores e os profissionais da navegação local. “É preciso considerar o conhecimento de quem vive dos rios. Não adianta contratar uma empresa de fora que nunca navegou na bacia amazônica.”
Em 2024, os custos operacionais com soluções emergenciais da Super Terminais chegaram a R$ 30 milhões. “Não somos uma ONG. Precisamos viabilizar nossas operações, e o ideal seria que a dragagem fosse bancada pelo DNIT. Do jeito que está, quem paga essa conta é o consumidor final”, concluiu.