Nordeste Export
Especialistas debatem avanços na movimentação de granéis líquidos
Painel do Nordeste Export destacou os investimentos que precisam ser feitos para ampliar a competitividade da região
A dinâmica “Investimentos em armazenagem e movimentação de granéis líquidos”, realizada nesta quinta-feira (31) no Fórum Nordeste Export, trouxe à tona os desafios e as oportunidades logísticas que o Nordeste precisa enfrentar para ampliar sua participação na nova matriz energética do país. O debate foi moderado por Bruno Merlin, diretor de Comunicação do Grupo Brasil Export.
Na apresentação de abertura, Howzembergson de Brito Lima, assessor especial do governador do Piauí, destacou a vocação do estado para energias renováveis e a importância de pensar o desenvolvimento da região de forma integrada. Ele citou o potencial da Margem Equatorial e defendeu que o Nordeste atue como protagonista da transição energética, sem abrir mão da responsabilidade social e ambiental. “Temos que pensar o impacto dos grandes empreendimentos nas comunidades locais. Municípios pequenos recebem projetos gigantescos sem infraestrutura adequada, o que exige planejamento coletivo”, observou.
O crescimento da estrutura de tancagem também foi abordado como um dos pontos-chave da dinâmica. Para Leonardo Cerquinho, diretor de Desenvolvimento de Negócios do Grupo Dislub Equador, o movimento de investimentos em combustíveis está se reorganizando. “O Nordeste começa a deixar de ser apenas receptor de derivados de petróleo para se tornar um polo exportador de biocombustíveis, como etanol e biodiesel”, afirmou, lembrando que essa nova lógica depende diretamente da ampliação da malha ferroviária.
Manoel Ferreira, sócio do Grupo Agemar, reforçou o alerta sobre a falta de capacidade de armazenagem e apontou o Arco Norte como eixo fundamental para a exportação de grãos. Com mais de 40 anos de experiência no setor logístico, ele ressaltou o potencial de portos como Suape (PE) para escoar a produção crescente do Matopiba. “Hoje, 50% do grão sai pelo Norte, mas ainda esbarramos na infraestrutura. É possível fazer muito mais com os investimentos certos em terminais e acessos”.
A necessidade de especialização nas operações portuárias também foi destacada por Renato Freitas, superintendente da TransGlobal. Ele citou os investimentos feitos pela empresa em armazéns modernos, sistemas informatizados e formação contínua das equipes. “A produtividade está diretamente ligada à eficiência operacional. Para isso, investimos pesado em tecnologia e capacitação, com planejamento de longo prazo e expansão já prevista para atender à nova demanda de carga”, afirmou.