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Opinião

Editorial

Da Redação

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Negociações devem continuar

A decisão dos Estados Unidos, de impor uma sobretaxa de 50% a produtos brasileiros importados pelo mercado norte-americano, começa a desenhar um cenário de severas consequências, com especial preocupação para as cadeias produtivas do Nordeste. O painel “Impactos da política tarifária dos Estados Unidos na economia da região Nordeste”, realizado nessa sexta-feira, dia 1, no Nordeste Export 2025, em Teresina (PI), expôs de forma clara e dramática os efeitos diretos dessa medida sobre setores vitais como mel, frutas e carne, atingindo a renda de pequenos produtores da região e ameaçando a estabilidade de mercados construídos ao longo de décadas.

O relato de Samuel Araújo, CEO do Grupo Sama, sobre a desestabilização da cadeia apícola, ilustra o drama. A tarifa punitiva, que impede a competição, não é apenas um problema econômico; trata-se de uma questão social que afeta mais de 500 mil famílias, muitas delas no semiárido nordestino. A recusa de compradores norte-americanos pelo mel orgânico brasileiro, um produto com forte presença nesse mercado, paralisou operações de empresas exportadoras. Essa situação se estende a outros produtos, como frutas e pescados, que também enfrentam incertezas logísticas e comerciais, como apontou Rebeca Oliveira, vice-presidente financeira do Complexo do Pecém.

A importância de o Governo do Brasil manter a negociação com o dos Estados Unidos, para reduzir as alíquotas tributárias aplicadas sobre os produtos brasileiros ao serem importados, é uma urgência inegável. A liberação de parte da carga de mel no Porto do Pecém (CE), embora seja um alento, não resolve a incerteza que paira sobre o restante dos contêineres e o futuro das exportações. O “tarifaço” atinge justamente os produtos mais geradores de emprego na região, como mel e manga, cuja colheita é manual e depende de força de trabalho intensiva. A quebra dessas cadeias produtivas impacta diretamente a base social do Nordeste, em um movimento contrário à inclusão e ao desenvolvimento.

A lentidão na reação pode levar à perda de competitividade de forma duradoura. Se os importadores americanos buscarem fornecedores em outros países, como o Vietnã, o Brasil poderá perder mercados que demoraram anos para serem construídos. Essa perspectiva reforça a necessidade de uma atuação diplomática ágil e eficaz.

O apelo por medidas emergenciais por parte do Governo Federal, como a criação de linhas de crédito específicas e a isenção temporária de tributos federais, demonstra a necessidade de amparo aos setores mais afetados. Embora 43,4% das exportações brasileiras aos EUA tenham sido poupadas da nova tarifa, os produtos atingidos são de grande relevância para a economia do Nordeste.

A defesa da negociação como a melhor estratégia para resolver o impasse é a mais sensata e pragmática. Em vez de uma escalada de retaliações, o diálogo pode levar a uma solução que proteja as cadeias produtivas brasileiras, garanta a estabilidade do mercado e evite prejuízos significativos para os pequenos produtores. A diplomacia, respaldada por dados que demonstram o impacto negativo da medida para ambas as economias, é a ferramenta mais poderosa para defender os interesses nacionais no comércio internacional e manter a negociação com o governo norte-americano.

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