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Trump acena a Lula após tarifaço: “Pode falar comigo quando quiser”

Atualizado em: 2 de August de 2025 às 9:03
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Presidente dos EUA sugere diálogo, mas critica gestão brasileira; Lula reafirma soberania e Haddad anuncia plano para proteger economia nacional

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na sexta-feira, 1º de agosto, que está disposto a conversar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “quando quiser”. A declaração foi dada a jornalistas em Washington, quando o norte-americano foi questionado sobre a possibilidade de diálogo para reverter a tarifa de 50% aplicada sobre produtos brasileiros. “Ele pode falar comigo quando quiser. Vamos ver o que acontece, mas eu amo o povo do Brasil”, disse Trump. Ainda sobre a nova taxação, a mais alta imposta aos parceiros comerciais dos EUA, o presidente norte-americano acrescentou: “as pessoas que estão comandando o Brasil fizeram a coisa errada”.

Horas depois da fala de Trump, Lula reagiu pelas redes sociais afirmando que segue aberto ao diálogo, mas reforçou que quem define os rumos do Brasil são os brasileiros e suas instituições. “Neste momento, estamos trabalhando para proteger a nossa economia, as empresas e nossos trabalhadores, e dar as respostas às medidas tarifárias do governo norte-americano”, escreveu o presidente. Lula também reafirmou a soberania e a defesa da democracia diante das medidas unilaterais dos EUA, que além do tarifaço, anunciaram sanções punitivas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator dos processos relacionados à tentativa de golpe de Estado no Brasil.

Em complemento à posição do Palácio do Planalto, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que o governo busca reforçar os canais de cooperação com os Estados Unidos. Segundo ele, há espaço para ampliar parcerias comerciais e investimentos, especialmente no setor de infraestrutura. “É sobre isso que temos que jogar luz. Mostrar pra eles que não tem essa do Brasil cair no colo de A, B ou C. O Brasil é grande demais. Podemos realmente estreitar os laços de cooperação, desde que seja bom para os dois lados”, disse. “Eles têm participado pouco de licitações no Brasil. Nossa infraestrutura está crescendo como há muito tempo não se vê. Por que eles não podem participar mais da nossa economia? Estamos abertos.”

Haddad também revelou que o governo brasileiro está finalizando um plano de contingência para mitigar os impactos do tarifaço sobre a indústria e o agronegócio nacionais. As primeiras medidas devem ser avaliadas pelo presidente Lula nos próximos dias. “A partir da semana que vem, já vamos poder, a julgar pela decisão do presidente, tomar as medidas de proteção da indústria e da agricultura nacionais”, afirmou. O ministro ainda ressaltou que o Itamaraty seguirá atuando junto aos canais diplomáticos para levar aos EUA uma compreensão mais precisa do funcionamento da democracia brasileira e corrigir eventuais distorções de percepção.

De acordo com Haddad, o governo também está calibrando os números necessários para apoiar empresas afetadas, em diálogo com sindicatos e com a Casa Civil. Algumas companhias, segundo ele, não devem precisar de ajuda adicional, pois já estão redirecionando sua produção para outros mercados, inclusive o mercado interno, que apresenta crescimento na demanda e na renda. Ao ser questionado sobre o impacto fiscal do pacote de ajuda, o ministro negou que a proposta inicial envolva recursos fora da meta. “Entendemos que conseguimos operar dentro do marco fiscal sem nenhum tipo de alteração.”

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TAGS exportações Lula TARIFAS EUA Trump
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