Comércio exterior
China habilita 183 empresas brasileiras para importação de café
Liberação para as empresas brasileiras é uma boa notícia para o setor, porque sinaliza uma possibilidade de abertura de novos mercados
A China anunciou a habilitação de 183 empresas brasileiras para exportação de café ao país asiático. A embaixada chinesa no Brasil divulgou a decisão pelas redes sociais. O anúncio detalha que a medida tem validade de cinco anos e entrou em vigor a partir do último dia 30 de julho, mesma data em que os Estados Unidos oficializaram as novas tarifas de 50% sobre produtos importados do Brasil.
O tarifaço passa a valer a partir do dia 6 de agosto, e diferentemente do suco de laranja, o café, um dos principais produtos brasileiros exportados para o mercado americano, ficou de fora da lista de exceções, o que despertou a preocupação dos exportadores.
A liberação para as empresas brasileiras é uma boa notícia para o setor, porque sinaliza uma possibilidade de abertura de novos mercados e uma oportunidade diante de um cenário de incertezas. Mas o alívio é pequeno, já que a China tem um consumo muito abaixo da média ao redor do mundo: o consumo per capita é de 16 xícaras por ano, enquanto a média global é de 240 xícaras.
O setor entende que existe um trabalho a ser feito para amadurecer o mercado e estimular as vendas de café para a China. “Já existe um trabalho do Cecafé de participar de eventos e feiras em outros mercados como a China. Esse anúncio do governo chinês é muito bem-vindo, mas leva tempo, porque envolve cultura de uma tradição asiática de tomar mais chá do que café. A gente tem uma expectativa negativa nesse momento pra uma super safra que teremos no ano que vem de café. Como esse mercado vai conseguir essas distorções?”, questionou o presidente da Associação Comercial de Santos (ACS), Mauro Sammarco.
As importações líquidas de café na China cresceram pouco mais de 13 mil toneladas entre 2020 e 2024, o que aponta um cenário otimista para os negócios com o país. Mas os Estados Unidos ainda representam o maior parceiro no comércio de café brasileiro. Os norte-americanos respondem por 16% das exportações do produto nacional, se posicionando como principal destino das vendas para fora do Brasil.
A tradição do consumo da bebida também é forte nos Estados Unidos, já que 76% da população bebe café. A importância do mercado americano reforça a necessidade de negociação entre os dois países. Em nota, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil destacou que é preciso revisar a decisão de taxar o café brasileiro, e que os representantes do Cecafé vão seguir trabalhando junto aos parceiros dos Estados Unidos para tentar, pelo menos, incluir o café entre os produtos isentos da tributação de 50%.
“De um cenário muito ruim que a gente tinha, já está amenizando. A gente tem visto como é a linha de negociação [dos EUA], agressiva num primeiro momento, mas depois sentam pra conversar. Fizeram acordos com Japão, União Europeia. Acho que chegou o momento do governo brasileiro também sentar na mesa. O presidente Lula precisa telefonar para o presidente Trump e seguir o trabalho que já está sendo feito pelos ministros Haddad e Alckmin”, salientou o presidente da ACS.
Ele também ressaltou a importância de diversificar os mercados para evitar novos casos desse tipo no futuro, causados por dependência a um único país.
“Além da China, a Índia tem crescido muito no consumo. A gente tem muito mercado para explorar. Tem que ser feito um trabalho educativo como foi feito no Japão, pra criar essa cultura. O bom é que teremos um mercado mais pulverizado, menos suscetível a essas guerras tarifárias. Não podemos ser altamente dependentes de poucos países. A soja é um exemplo disso, 70% da nossa soja vai pra China. Precisamos ser mais inteligentes em termos de abertura de mercado”, afirmou Sammarco.