Nordeste Export
Nordeste tem potencial em logística e energia, mas precisa investir mais
Especialistas dizem que transporte e armazenagem são chave para liderar a transição energética e o agronegócio
Sol, vento, grãos e biocombustíveis colocam o Nordeste como peça-chave na nova matriz logística do Brasil. Durante a dinâmica sobre armazenagem e granéis líquidos no Nordeste Export, especialistas defenderam mais investimento em infraestrutura para que a região assuma esse protagonismo com sustentabilidade e eficiência.
Howzembergson de Brito Lima, assessor especial do governador do Piauí e membro do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), destacou que o papel do Nordeste vai além dos recursos naturais. “Não se trata só de sol e vento o ano inteiro, que já nos dão vantagem. É preciso visão de estado, responsabilidade ambiental e, principalmente, planejamento social para que os grandes empreendimentos realmente deixem um legado positivo para as comunidades”, afirmou.
A Margem Equatorial, vista como uma nova fronteira energética, foi apontada como vetor capaz de atrair indústrias, gerar empregos e impulsionar a logística regional. Mas, para isso, segundo o representante do governo estadual, será “necessário investir em infraestrutura integrada, como ferrovias, rodovias e portos conectados ao agronegócio e à mineração”.
Para Leonardo Cerquinho, diretor de desenvolvimento de negócios do Grupo Dislub Equador, a lógica da distribuição de combustíveis no país está mudando e o Nordeste está no centro dessa transformação. “Estamos saindo da era dos derivados de petróleo e entrando na era dos biocombustíveis. Etanol e biodiesel vão crescer muito, e a tancagem precisa acompanhar essa virada. O que antes era só recepção, agora também será expedição”, disse, citando investimentos em curso em polos portuários como Itaqui (MA), Suape (PE) e Pecém (CE).
No campo da armazenagem de grãos, Manoel Ferreira, sócio do Grupo Agemar, chamou atenção para o salto de produção no Matopiba e o déficit estrutural. “Tem grão que fica no campo por falta de ter onde estocar. É urgente ampliar a capacidade nos portos e nos eixos de escoamento. Suape, por exemplo, tem potencial enorme e ainda é subaproveitado”, avaliou.
A resposta a esse cenário de expansão passa por eficiência operacional e preparo técnico. Renato Freitas, superintendente da TransGlobal, destacou o papel da especialização e do investimento em tecnologia. “Apostamos em estruturas modernas, informatização e formação contínua das equipes. A operação portuária precisa ser precisa. Já movimentamos 6 milhões de toneladas por ano e vamos dobrar esse número em cinco anos com planejamento e qualificação”, pontuou.