Nacional
Marinha lança segunda fragata do programa de renovação da frota
Embarcação construída em estaleiro de Itajaí terá tecnologia avançada e reforçará a defesa da Amazônia Azul
A Marinha do Brasil lançou na sexta-feira (8), em Itajaí, no litoral de Santa Catarina, a fragata Jerônimo de Albuquerque, segunda embarcação do Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT). Com 107 metros de comprimento e 20,2 metros de altura — o equivalente a um prédio de seis andares —, o navio foi construído no Thyssenkrupp Estaleiro Brasil Sul, pelo consórcio Águas Azuis.
O evento, iniciado por volta das 11h30, contou com a presença do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, do ministro da Defesa, José Múcio, e de outras autoridades civis e militares. Seguindo a tradição naval, o batismo da embarcação foi realizado pela esposa do vice-presidente, Lu Alckmin, que quebrou uma garrafa de espumante contra o casco e tornou-se madrinha do navio.
A Jerônimo de Albuquerque será entregue à Marinha em janeiro de 2027 e deverá reforçar a capacidade operativa da Força Naval, com atuação no patrulhamento da costa, defesa de ilhas, proteção de rotas marítimas e escolta de embarcações. O navio também poderá participar de operações de busca e resgate, além de missões no combate à pesca ilegal, pirataria e outros ilícitos na chamada Amazônia Azul, área marítima de mais de 5,7 milhões de km² sob jurisdição brasileira.
Entre as características técnicas, a embarcação possui pista para aeronaves, hangar para helicópteros, radares, sensores, armamentos, velocidade máxima de 25 nós (aproximadamente 47 km/h) e autonomia de 5.500 milhas náuticas. A construção empregou tecnologias como gêmeos digitais e o Sistema de Gerenciamento de Combate (CMS), considerado o “cérebro” do navio.
O PFCT prevê a entrega de quatro fragatas até 2029, com investimento total estimado em R$ 11 bilhões. A primeira, a Tamandaré, foi lançada em agosto de 2024. O programa é executado pelo consórcio Águas Azuis — formado por Thyssenkrupp Marine Systems, Embraer Defesa & Segurança e Atech — e envolve cerca de mil empresas, com projeção de R$ 4,8 bilhões em conteúdo local e geração de 23 mil empregos diretos, indiretos e induzidos.
No discurso, Alckmin destacou o papel estratégico do setor. “Reafirmo que não há inclusão social duradoura sem parque industrial robusto. Tampouco indústria é forte sem investimento contínuo em ciência e tecnologia. A indústria naval, para além de sua importância estratégica, impulsiona o desenvolvimento regional, amplia a oferta de empregos de alta complexidade e fomenta negócios de base tecnológica”, afirmou.
Ele acrescentou que investir em defesa estimula outros segmentos econômicos. “Investir em soberania reverbera, portanto, em inovação transversal e em geração de riqueza para o povo brasileiro”, disse. O vice-presidente também afirmou que a nova fragata é a expressão concreta do esforço para “fortalecer a soberania marítima e ampliar os pilares do desenvolvimento do país” e defendeu que a produção nacional abre espaço para exportações. “Navios construídos em território nacional posicionam o Brasil como fornecedor de soluções integradas em construção, capacitação e suporte tecnológico, abrindo caminhos para novas parcerias e para uma pauta exportadora de maior valor agregado.”
Defesa
O ministro da Defesa, José Múcio, ressaltou o desempenho recente da indústria de defesa no comércio exterior. “Em julho deste ano, alcançamos novo recorde das exportações autorizadas de produtos de defesa. Alcançamos US$ 2 bilhões até julho. Isso mostra a força da nossa indústria sob atual gestão e nos faz abrir novos horizontes para crescer ainda muito mais”, afirmou.
Itajaí, sede da construção, é o maior polo náutico do Brasil e responde por cerca de 70% das embarcações produzidas no país. Segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, o setor movimenta R$ 611 milhões por ano, emprega cerca de 1,1 mil pessoas em 29 empresas e concentra sete de cada dez barcos fabricados no território nacional.