Bahia Export
Bahia perde competitividade nas últimas décadas devido à carência de infraestrutura
Debatedores apontaram a necessidade de investir em acesso portuário e qualificação profissional para atrair novos negócios
A necessidade de ampliar a infraestrutura e solucionar entraves que afetam o escoamento da produção marcou o painel “Investimentos em infraestrutura e novos negócios para expansão da indústria da Bahia”, realizado na manhã desta sexta-feira (15) no segundo dia do Bahia Export, em Salvador.
O presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Roberto Oliva, afirmou que a Bahia perdeu competitividade econômica nas últimas décadas e que “a razão primordial disso é a nossa carência de infraestrutura”. Como exemplo, citou a falta de dragagem no Porto de Ilhéus, que obriga empresas a fazerem rotas mais longas e caras. “Se não conseguir ligar a produção à saída portuária, a atratividade diminui e os outros estados ganham vantagem”, alertou.
O impacto dessas limitações no transporte também foi destacado pelo CEO da Veracel, Caio Zanardo. Ele afirmou que “mais de 50% do custo de uma celulose hoje está relacionado a questões logísticas” e defendeu soluções conjuntas para melhorar estradas e acesso a portos no sul do estado. “Se pudéssemos utilizar Ilhéus, teríamos metade da distância, menor risco e menos emissão de carbono”, disse. Zanardo ainda chamou atenção para a dificuldade de renovação da mão de obra no transporte rodoviário: “Hoje, apenas 4% dos nossos motoristas têm menos de 30 anos”.
A ligação entre infraestrutura e competitividade também foi abordada pelo vice-presidente de ESG, Comunicação e Relações Institucionais da Acelen, Marcelo Lyra. Segundo ele, empresa já investiu R$ 3 bilhões na refinaria de Mataripe e prepara um projeto de US$ 3 milhões para combustíveis renováveis, com início de operação previsto para 2028. “A eficiência logística será decisiva para que este e outros investimentos mantenham sua competitividade”, afirmou, destacando que a produção será voltada à exportação.
O tema da qualificação profissional, que permeou diversas falas, foi aprofundado pela secretária de Desenvolvimento Econômico de Camaçari, Adriana Marcele. Ela disse que o município vem requalificando o polo industrial e criando incentivos como o IPTU Verde. “Queremos que as empresas cheguem e se solidifiquem na cidade”, afirmou.
Adriana pontuou ainda que a formação de mão de obra é essencial. “A vaga existe, mas não temos pessoas para assumir com assertividade”.
Encerrando o painel, o diretor-executivo da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Vladson Menezes, ressaltou que o estado tem potencial para se destacar na economia de baixo carbono, mas precisa se preparar para a redução dos incentivos fiscais a partir de 2029. “Temos que construir uma nova Bahia, removendo obstáculos e criando condições para a competitividade”, disse.
O painel foi moderado por Camila Aguiar, diretora de Operações da BahiaInveste.