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Falta de espaço em terminais de contêineres trava exportações brasileiras, alerta CNI
Superintendente Wagner Cardoso afirmou na Câmara que congestionamento nos portos já mantém cargas represadas por até 40 dias
A falta de espaço para a operação de contêineres nos portos brasileiros é um grande obstáculo para as exportações do Brasil, afirmou Wagner Cardoso, superintendente de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (CNI), nessa terça-feira, dia 19, durante audiência pública na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados.
Congestionados
O superintendente da CNI destacou que a movimentação de contêineres no Brasil cresceu 20% em 2024 em relação ao ano anterior, resultando no esgotamento dos terminais. “Nossos portos estão congestionados. Passou a ser comum um contêiner ficar de 30 a 40 dias no terminal, o que é muito ruim porque a carga fica represada. Isso não existe no mundo. Só existe em tempo de guerra ou de pandemia. É muito ruim porque a carga fica represada e gera custos para o embarcador”, alertou.
Limite ultrapassado
Cardoso mencionou dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que recomendam que terminais operem com no máximo 65% de sua capacidade para garantir eficiência. Segundo ele, entre os principais portos brasileiros, apenas o de Rio Grande (RS) não está com a capacidade esgotada. De acordo com o superintendente, 77% dos embarques foram cancelados ou sofreram atrasos no ano passado.
Novos terminais
Nesse cenário, o representante da CNI reforçou a necessidade de mais espaço para movimentação de cargas e a urgência de tirar do papel as licitações de novos terminais. E observou que o Ministério de Portos e Aeroportos anunciou leilões para 2025, mas apenas dois são focados em contêineres: o Tecon Santos 10, para o Porto de Santos (SP), e o Terminal de Contêineres de Fortaleza (MUC04).
Tecon Santos 10
O ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, reforçou, nessa quarta-feira, dia 20, que o leilão do Tecon Santos 10, o megaterminal de contêineres e carga geral planejado para o Porto de Santos (SP), ocorrerá em dezembro e será o maio do setor. Ele está na espera do parecer do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o empreendimento e as regras para o seu arrendamento. O relator do caso no TCU, ministro Antônio Anastasia, deve emitir seu parecer no início do próximo mês. A expectativa, então, é que o processo seja votado pela Corte ainda em setembro.