Bahia Export
Bahia mira corredores verdes para liderar nova agenda sustentável nos portos
Codeba, Ultracargo, Intermarítima e a Secretaria do Mar veem na logística de baixa emissão a chance de reposicionar a Baía de Todos-os-Santos no cenário global
A agenda sustentável deixou de ser tendência para se transformar em peça chave na infraestrutura portuária. Na Bahia, o avanço de iniciativas voltadas para digitalização, energia limpa, economia azul e responsabilidade socioambiental abre caminho para a construção de um novo posicionamento do estado em rotas internacionais focadas no transporte marítimo de baixa emissão, conhecidas como corredores verdes.
A proposta foi defendida em um dos painéis do Bahia Export por Antônio Gobbo, diretor-presidente da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba). Segundo ele, a autoridade portuária desenvolve projetos conectados a universidades e organismos internacionais para que a Baía de Todos-os-Santos se torne referência em governança ambiental. “Isso é reposicionamento comercial e vantagem competitiva para operadores e cargas que vão circular pelo porto. Tecnologia, gestão territorial e sustentabilidade precisam andar juntos”.
Na mesma direção, Helano Pereira, vice-presidente executivo da Ultracargo, afirmou que o setor privado já opera com uso exclusivo de energia renovável e que tem incluído metas sociais dentro dos seus investimentos. “Diversidade, automação, qualificação e inovação são pautas inegociáveis para manter os portos vivos e competitivos”.
Para além dos terminais, o conceito abraça também o território e a população. Maria Eduarda Lomanto, secretária do Mar da Prefeitura de Salvador, acredita que o município tem papel decisivo para consolidar uma cultura náutica com impacto econômico e social. “É fundamental reaproximar a cidade do mar, cuidar das ilhas, formar profissionais e fortalecer rotas náuticas. Só assim a logística sustentável vira um vetor de desenvolvimento e inclusão”.
E essa visão depende de integração metropolitana e novas conexões, segundo Roberto Zitelmann de Oliva Jr., presidente da Intermarítima. “Temos uma condição natural raríssima. O que falta é transformar isso numa política contínua, com ferrovia, rodovias em boas condições e gestão compartilhada entre cidade, estado e União”, afirmou o executivo, que lembrou que a matriz limpa da Baía de Todos-os-Santos é um diferencial, mas ainda carece de planejamento urbano, acessos modernos e transporte multimodal.
“Portos verdes só existem quando há logística sustentável fora deles também”, completou Oliva Jr.