Região Sul
Megaoperação revela esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis
Segundo Receita Federal, importação irregular ocorria pelo Porto de Paranaguá
As três operações deflagradas nesta quinta-feira (28) contra a lavagem de dinheiro criminoso por meio do setor de combustíveis resultaram no cumprimento de mais de 400 mandados judiciais, incluindo 14 de prisão e centenas de buscas e apreensões, em pelo menos oito estados.
As medidas judiciais levaram ao bloqueio e sequestro de mais de R$ 3,2 bilhões em bens e valores. Os grupos criminosos movimentaram, de forma ilícita, aproximadamente R$ 140 bilhões.
Segundo a Polícia Federal e a Receita Federal, o esquema tem a participação de integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital), e uma das frentes envolvia a importação irregular de metanol por um terminal no Porto de Paranaguá. De acordo com as nvestigações, o combustível chegava ao país pelo complexo paranaense, com documentação correta que indicava como destino endereços de empresas químicas ou de biodiesel para uso industrial. Porém, motoristas envolvidos no esquema desviavam o produto para postos de combustíveis da Grande São Paulo e outras regiões, burlando a fiscalização. Os agentes indicaram que o metanol chegava a compor até 50% da gasolina vendida, superando “em muito” o limite de 0,5% permitido pela ANP.
Paranaguá
No Porto de Paranaguá, um dos alvos da operação foi um terminal de líquidos. Procurada pela reportagem, o arrendatário da instalação afirmou que já assumiu a administração do terminal, mas ainda não realizou nenhuma operação, inclusive, seus tanques permanecem vazios e nenhum tipo de produto foi movimentado até o momento. “A ordem de serviço, que é emitida pela Autoridade Portuária e é indispensável para o início das operações, só foi expedida em junho de 2025. Até então, o terminal não estava apto a operar, o que tornaria tecnicamente impossível qualquer movimentação de cargas nesse período”, citou.
O dono da controladora do terminal é o empresário C.S.S., que também é investigado.
A Portos do Paraná, responsável pela administração do Porto de Paranaguá, informou que não foi alvo da operação da Polícia Federal e que a empresa citada atua em terminal privado na área portuária.
(Com informações da Agência Brasil)