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Brasil precisa agir para não perder espaço no mercado de cruzeiros, diz CLIA
Presidente da associação aponta medidas como redução de custos e investimentos em infraestrutura para enfrentar retração de 20% na temporada 2025/2026
Ampliar a competitividade, reduzir custos, investir em infraestrutura, atualizar a regulação de acordo com o restante do mundo e melhorar a segurança jurídica e o sistema tributário são medidas urgentes para evitar que o Brasil perca ainda mais espaço no mercado de cruzeiros marítimos. O alerta foi feito por Marco Ferraz, presidente da Clia Brasil (Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos), durante o 7º Fórum Clia Brasil 2025, na quarta-feira (3), em Brasília (DF). Segundo ele, o setor precisa de um esforço conjunto de governo e iniciativa privada para enfrentar a retração prevista para a próxima temporada.
A temporada 2025/2026, que começa em outubro, contará com apenas sete navios de cabotagem, dois a menos que no ciclo anterior, e oferecerá 674,6 mil leitos, uma queda de 19,5% em relação a 2024/2025. O impacto econômico e a geração de empregos também deverão ser cerca de 20% menores.
“A temporada 2024/2025 trouxe resultados econômicos expressivos e milhares de empregos gerados em todo o país. O setor de cruzeiros movimenta comunidades inteiras e gera benefícios reais e concretos para a economia. Mas já sabemos que esses números não se repetirão na próxima temporada, diante da saída de navios e da redução da oferta. É urgente que setor público e privado caminhem juntos para ampliar a competitividade, reduzir custos, investir em infraestrutura, atualizar a regulação de acordo com o restante do mundo, melhorar a segurança jurídica e impostos, garantindo que o Brasil aproveite plenamente o potencial da atividade. É por isso que a Clia promove este fórum: um espaço para enfrentarmos os obstáculos de frente e, juntos, encontrarmos soluções”, afirmou Ferraz.

Marco Ferraz no 7º Fórum Clia Brasil ao lado do presidente e CEO da Clia global, Bud Darr, e do vice-presidente executivo para regiões internacionais Niels Wammen-Jansen. Foto: Divulgação/Clia Brasil
Balanço
O diagnóstico foi apresentado no mesmo evento que divulgou o balanço da temporada 2024/2025, considerado positivo mesmo com uma pequena retração no número de cruzeiristas embarcados. O estudo de Perfil e Impactos Econômicos de Cruzeiros Marítimos no Brasil, elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com a Clia Brasil, apontou que 838.096 passageiros embarcaram entre novembro e abril, número 0,8% inferior ao da temporada anterior, mas ainda o segundo maior da série histórica.
No campo econômico, o setor movimentou R$ 5,43 bilhões, um crescimento de 3,8% sobre 2023/2024. Cada R$ 1 investido pelas companhias gerou R$ 4,05 na economia nacional. O resultado foi impulsionado por R$ 2,95 bilhões em impacto gerado pelas empresas de cruzeiros (+5,5%) e R$ 2,48 bilhões provenientes de cruzeiristas e tripulantes (+3,7%). As receitas tributárias somaram R$ 577,4 milhões entre União, estados e municípios.
No período, nove navios percorreram dezenas de destinos brasileiros e sul-americanos, com embarques em portos como Itajaí (SC), Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Maceió (AL) e Paranaguá (PR), além de escalas em cidades como Angra dos Reis (RJ), Balneário Camboriú (SC), Búzios (RJ), Fortaleza (CE), Ilhabela (SP), Ilha Grande (RJ), Ilhéus (BA), Porto Belo (SC) e Recife (PE). Houve ainda paradas em Buenos Aires (Argentina), Montevidéu e Punta del Este, ambos no Uruguai.
A temporada de cabotagem gerou 84,6 mil postos de trabalho, 5,3% a mais que no período anterior, sendo 1.617 de tripulantes e 82.985 em toda a cadeia de apoio, envolvendo agências de viagens, operadoras de turismo, comércio, hotelaria, alimentação e transporte. O impacto econômico médio por passageiro foi de R$ 709,47 nas cidades de escala e de R$ 918,15 nas cidades de embarque e desembarque.
Impacto
Pela primeira vez, o estudo também considerou os efeitos dos 29 navios de passagem (longo curso) que tiveram escalas no Brasil, o que acrescentou R$ 583,9 milhões à economia, 9,1 mil empregos e R$ 62,1 milhões em tributos. Somando cabotagem e longo curso, o impacto total chegou a R$ 6 bilhões, com 93,7 mil postos de trabalho gerados.
O levantamento ainda revelou que 171.300 brasileiros viajaram em cruzeiros no exterior na temporada 2024/2025, gerando uma receita estimada de R$ 931,7 milhões, principalmente em roteiros no Caribe, na Europa e em viagens transatlânticas, que seguem entre as preferidas.