Norte Export
Inovação pode ajudar na integração de demandas no Pará
Especialistas e startups debatem soluções para integrar setores público e privado, otimizar operações e promover desenvolvimento sustentável em Belém, durante o Fórum Inova Export
Angelino Caputo, presidente-executivo da ABTRA, moderou nesta quinta-feira (25) o painel “Inovação aberta e novos caminhos para a infraestrutura e logística na região Norte”, durante a primeira edição do Fórum Inova Export no estado do Pará, realizada em Belém. O debate reuniu especialistas, gestores e startups para discutir desafios e soluções inovadoras na logística e infraestrutura da região, destacando a importância de parcerias entre poder público, empresas e academia para promover eficiência, sustentabilidade e integração no setor.
Carlos Zacca, gestor da área de infraestrutura, portos e navegação do escritório Fonseca Brasil Advogados, abordou os desafios logísticos da região Norte, destacando a falta de alinhamento entre empresas e poder público. Ele explicou que é necessário organizar as demandas de forma coordenada e criar sistemas que permitam inovação tecnológica integrada à legislação vigente, ressaltando que “o que você precisa hoje é ordenar as demandas que chegam ao poder público; o poder público faz o que a lei permite, a empresa faz o que a lei não proíbe”. Zacca citou exemplos de soluções já aplicadas na Amazônia, como a gestão portuária inteligente em Itaituba, que utiliza inteligência artificial para controlar o fluxo de caminhões e otimizar operações, e startups que conectam universidades, órgãos públicos e empresas para viabilizar projetos sustentáveis.
Marcel Botelho, diretor-presidente da FAPESPA, destacou o papel das políticas públicas e do financiamento em pesquisa e inovação. Marcel fala sobre programas como o Technova, que já investiu milhões em projetos de empresas no Pará, permitindo que tecnologia desenvolvida na academia seja aplicada em soluções reais no setor logístico. Ele reforçou a importância de conciliar desenvolvimento econômico com preservação ambiental e disse que “precisamos desenvolver a Amazônia, precisamos ter riqueza na Amazônia, precisamos ter qualidade de vida na Amazônia”.
Greyce Franzmann, cofundadora do Impact Hub Belém, explicou como a organização conecta startups, empresas e governo para desenvolver soluções inovadoras, principalmente em logística e inovação climática. “Não conseguimos fazer inovação aberta sozinhos; precisamos de colaboração entre todos os atores envolvidos”, afirma Greyce, detalhando o acompanhamento das startups desde a identificação de desafios até a implementação de pilotos, sempre com foco em gerar impacto socioambiental e preparar essas empresas para acessar investimentos.
Aiua Queiroz, superintendente da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Belém, apresentou os investimentos em infraestrutura e logística da cidade, incluindo a ampliação do aeroporto, a modernização do terminal hidroviário e obras de macro drenagem. Ele explicou que essas ações visam criar um ecossistema de inovação que integre turismo, cultura e logística, destacando que “estamos criando todo esse ecossistema necessário para inovação, para trazer um turismo diferenciado”, reforçando que essas medidas preparam Belém para receber turistas qualificados e gerar um legado sustentável.
Nos momentos finais, os participantes reforçaram a importância de integrar esforços entre os setores público e privado. Carlos Zacca trouxe o exemplo de uma empresa que conseguiu fechar toda a cadeia de sustentabilidade do açaí, demonstrando como iniciativas locais podem gerar impactos econômicos e ambientais concretos. Marcel Botelho destacou a necessidade de criar um fundo regional de pesquisa e inovação para fortalecer o ecossistema do Pará. Greyce Franzmann enfatizou que a inovação aberta só funciona com colaboração efetiva entre todos os atores envolvidos e Aiua Queiroz apontou que facilitar a formalização de startups e o acesso a crédito é essencial para criar um ambiente favorável ao surgimento e crescimento de novas iniciativas.