Norte Export
Nova fase energética do Norte exige portos eficientes e infraestrutura robusta
Painel do Norte Export reuniu autoridades e empresas para debater desafios de combustíveis, logística e sustentabilidade na região
Representantes do setor público e privado defenderam o fortalecimento da infraestrutura logística da Região Norte para acompanhar a nova fase energética e econômica, impulsionada principalmente pela exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial. O debate ocorreu durante o painel “Operações de gás, combustíveis e a transição energética em portos e terminais da região Norte”, dentro do fórum Norte Export, em Belém (PA).
O diretor de atração de investimentos da Agência Amapá, Antônio Batista Ribeiro Neto, avaliou que a liberação dos estudos da Petrobras sobre a Foz do Rio Amazonas marca um novo ciclo de desenvolvimento, deslocando o eixo produtivo da energia no país. “Temos atividades sendo implementadas que são muito demandantes da logística. Precisamos aprimorar a infraestrutura portuária e aeroportuária para suportar essa operação”, afirmou.
O especialista em regulação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Rubens Cerqueira Freitas, abordou os desafios do abastecimento regional. “Temos capacidade de aproximadamente 45 dias de combustíveis, mas crises hídricas ou externas podem comprometer o abastecimento. A exploração de petróleo trará investimentos, mas refinarias locais não são garantidas.”
Para o vice-presidente executivo da Ultracargo, Helano Gomes, o setor privado tem papel central no avanço da logística e da eficiência energética. “O setor de petróleo depende de investimentos prévios e planejamento. Precisamos oferecer produtos mais baratos e eficientes, porque a vida gira em torno do combustível.” Ele destacou que o terminal da empresa em Vila do Conde passou a operar também à noite, o que reduziu cerca de R$ 300 milhões por ano em custos operacionais.
A segurança das operações foi tema da fala de Thiago Lemgruber, diretor da Hidroclean, que detalhou a estrutura de resposta a emergências da empresa. “Temos mais de 50 bases, 700 funcionários e um sistema de gestão de incidentes que integra operação, agência ambiental e órgãos portuários. Garantimos resposta rápida a qualquer acidente, seja em terminais ou hidrovias.”.
O diretor da Super Terminais, Marcello Di Gregório, apresentou iniciativas de transição energética voltadas à sustentabilidade das operações portuárias. “Estamos instalando a primeira usina de gás da região Norte, para alimentar guindastes elétricos e reduzir 68 mil toneladas de CO2. É a virada de chave da nossa transição energética.” O projeto, segundo ele, será implementado de forma gradual.