quarta-feira, 07 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

O etanol e o modal ferroviário

O acordo firmado entre a Vale e a fabricante norte-americana Wabtec Corporation, para o desenvolvimento de testes com o uso de etanol em locomotivas, é um forte sinal de que a descarbonização está atingindo um dos modais mais intensivos em carbono: o transporte ferroviário. A iniciativa, que prevê estudos laboratoriais até 2027 e pode ser aplicada na frota da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), marca uma nova e importante etapa no programa de redução de emissões da mineradora.

O projeto busca analisar o desempenho dos motores, o potencial de redução de emissões e a taxa de substituição do diesel pelo etanol. Para a Vale, o etanol, como combustível renovável, representa uma alternativa estratégica para diminuir a dependência de fontes não renováveis, um passo essencial para que a companhia cumpra sua meta de reduzir em 33% as emissões absolutas de escopos 1 e 2 até 2030. O vice-presidente de Operações da Vale, Carlos Medeiros, ressaltou que “iniciativas inovadoras como estas, para a adoção de combustíveis alternativos em nossas locomotivas, fazem parte do compromisso da Vale de acelerar a descarbonização de nossa malha ferroviária”.

A importância da iniciativa do uso do etanol no transporte ferroviário reside no fato de que o Brasil é um player global na produção de biocombustíveis e detém uma expertise inigualável em etanol. Utilizar essa commodity renovável, produzida em larga escala, para alimentar a frota de locomotivas, transforma o setor de transportes em um motor da transição energética. A Wabtec, ao afirmar que é a primeira vez que utilizará o etanol como fonte de energia em uma locomotiva, reconhece o potencial e a liderança brasileira nessa tecnologia.

O acordo reforça o papel da cooperação internacional para o desenvolvimento de soluções sustentáveis. Ele se soma a outras iniciativas conjuntas, como a compra de locomotivas que operam com mistura de biodiesel, mostrando uma abordagem gradual e pragmática para a descarbonização.

O setor ferroviário, que respondeu por 14% das emissões totais de carbono da Vale em 2024, precisa de alternativas viáveis para reduzir sua pegada ambiental. O etanol, com sua química e logística conhecidas no País, surge como o caminho mais promissor para a aceleração da transição energética nesse modal. A possibilidade de adaptação dos motores para a mistura de etanol e diesel é um avanço que pode ser replicado em outras ferrovias do Brasil, consolidando a bioenergia como um pilar da sustentabilidade do transporte nacional.

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