Brasil Export
Diversidade é um dos pilares principais para gerar inovação
Políticas de apoio às mulheres são necessárias para corrigir dívida histórica, ressaltam executivas durante painel 100% feminino do Inova Export
Apesar do desenvolvimento econômico estar associado à competência e não ao gênero, segundo a superintendente de ESG e Inovação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), Cristina Castro, há necessidade de políticas de apoio às mulheres como forma de corrigir uma dívida histórica, causada principalmente pelo tempo que as mulheres dedicam-se aos cuidados domésticos enquanto os parceiros investem em suas próprias carreiras. E hoje, com mais mulheres trabalhando também fora de casa, a balança dos cuidados e o tempo pessoal disponível segue em desiquilíbrio na comparação entre elas e eles.
“A diversidade gera inovação. Estudos mostram que gestões femininas e masculinas são diferentes e complementares”, afirmou Castro, destacando que apenas 17% da força de trabalho no setor aquaviário é composta por mulheres.
A fala ocorreu durante o Inova Export, realizado nesta terça-feira (28), em Brasília, dentro da programação do Fórum Brasil Export. O painel “Protagonismo feminino e equidade de gênero no setor de infraestrutura”, composto 100% por mulheres, foi marcado por reflexões sobre o papel delas no desenvolvimento do setor de infraestrutura.
A mediação foi feita pela diretora de Inteligência de Mercado do Grupo Brasil Export, Núria Bianco, e reuniu três lideranças que vêm se destacando em diferentes áreas. Além de Cristina Castro, estiveram presentes a CEO da The Planet, Gilda Gomes, e a diretora Regulatória e Institucional da Hidrovias do Brasil, Mariana Pescatori.
Bianco, aliás, provocou a plateia ao exemplificar a cultura do machismo no setor corporativo. “Quem já precisou se qualificar mais para uma mesma vaga que um homem ocupa?”, questionou, momento em que muitas mulheres presentes levantaram as mãos.

Foto: Saulo Cruz
Organizações diversas têm mais lucros
A CEO da The Planet, Gilda Gomes, trouxe uma reflexão sobre os desafios culturais que ainda limitam a presença feminina nas estruturas de poder. Para ela, é preciso “vencer o medo e a contracultura” que ainda dominam muitos espaços de decisão. “A diversidade constrói. As organizações que entendem isso estão entre as que geram os maiores PIBs do mundo. O ESG é um negócio do bem, que traz evolução”, disse.
Já Mariana Pescatori destacou que a “diversidade melhora o ambiente de trabalho, gera mais desenvolvimento e aumenta a lucratividade”. Ela defendeu a criação de metas e políticas públicas que incentivem a ascensão das mulheres em cargos de liderança. “Na Hidrovias (empresa), 37% das posições de liderança são ocupadas por mulheres. E quando estive no governo, deixei o Ministério de Portos com 50% de lideranças femininas”, lembrou.
Encerrando o debate, Gilda reforçou que ainda há barreiras estruturais e institucionais que impedem as mulheres de avançar. “Vivemos uma emergência climática e social. As políticas atuais ainda não permitem que as mulheres executem plenamente seus projetos. Não tenho ainda a resposta de como romper isso, mas é um caminho que precisamos buscar juntas”, concluiu.