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Brasil Export

“Vejo uma política propícia com a expansão do modal ferroviário”, diz Sampaio

Atualizado em: 30 de October de 2025 às 8:57
Leopoldo Figueiredo Enviar e-mail para o Autor

Guilherme Sampaio, Diretor-geral da ANTT, concedeu entrevista ao BE News e destacou a previsão de um ciclo histórico de investimentos privados nos próximos anos

O diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres, Guilherme Sampaio, prevê o início de um ciclo histórico de investimentos privados nos próximos anos. E para isso, defende uma harmonização entre as autoridades. Com exclusividade ao BE News, ele ainda tratou de desburocratização e, em relação às rodovias, a tecnologia free flow. Confira a seguir os principais trechos dessa entrevista.

Um dos segmentos mais estratégicos do setor de transportes para a economia nacional é o ferroviário e o mercado está na expectativa do Plano Nacional de Ferrovias. O ministro Renan Filho já fala em oito leilões no próximo ano e investimentos recordes. Qual a expectativa da ANTT para esse plano? E como a agência está se preparando para essa nova fase de investimentos?

Temos uma carteira de projetos que está em curso, seja de renovações antecipadas, seja de novos projetos. E estamos tendo um alinhamento fino, estratégico, entre o Ministério dos Transportes, que é o detentor de política pública, e a Agência Nacional de Transportes Terrestres, que é aquela que implementa, regula, que fiscaliza, a InfraSA, que faz os estudos, o Tribunal de Contas da União (TCU) e, é claro, um trabalho muito grande com os próprios concessionários e com um olhar para o usuário. O trabalho que a gente está fazendo é justamente equalizar, para calibrar a matriz de transportes para uma maior presença do modal ferroviário. E integrar ainda o usuário, aquele que utiliza a rodovia, o caminhão, que venha a migrar para a ferrovia como um modal mais competitivo.

Em relação às outorgas ferroviárias por autorização, o sr. concorda com esse modelo? Há críticas citando que muitas propostas são apresentadas mas não saem do papel. Faria alguma alteração?

Nós teremos uma política pública muito clara para o transporte ferroviário. E muitos desses pontos serão regulamentados. E o que a gente vê é que está sendo construído, inclusive, um fundo ferroviário para fazer frente às demandas. O modal ferroviário demanda alto capital. E por si só, apenas o recurso privado não vai fazer frente às necessidades nacionais. Então, vejo uma política propícia com a expansão do modal ferroviário.

Sobre o segmento rodoviário, uma das principais inovações tecnológicas é o sistema free flow. Entretanto, em São Paulo, sua implantação tem gerado polêmicas, com o Governo do Estado alterando seus planos de instalação desses equipamentos que ficariam próximos de áreas urbanas. Qual a melhor estratégia para adotar esse tipo de sistema?

O que eu vejo é uma harmonização muito importante entre tecnologia,a regulação e a licença social. É explicar o modelo com todos os atores envolvidos. O pórtico do free flow custa um terço de uma praça de pedágio e vai permitir (à concessionária) investir em outros pontos da rodovia. Você tem uma redução significativa de emissões de gases do efeito estufa, a redução de incidentes e, ainda, um trânsito mais livre.

Um dos principais entraves para investimentos em ferrovias e rodovias é o licenciamento ambiental. O mercado defende uma simplificação de processos. É possível simplificar? Como equilibrar a demanda do mercado com a necessidade de avaliação ambiental? Há um rigor excessivo por parte das autoridades ambientais federais e estaduais?

Tudo que venha a trazer desburocratização, desde que respeitando as obrigações ambientais e os pontos ordinários, é bem-vindo. O Brasil vai viver o maior ciclo de investimentos privados dessa próxima década. E com isso, tudo que possa agregar e facilitar a emissão de licenças, vai otimizar e muito a continuidade e a efetivação desses investimentos.

 

 

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