Brasil Export
Pautas sustentáveis são oportunidade para novos investimentos em infraestrutura
Tema foi discutido ontem, no painel “Futuro sustentável da infraestrutura nacional de transportes”, da programação do InfraESG
O ESG é a grande chance do setor de infraestrutura continuar crescendo, segundo a vice-presidente financeira do Complexo do Pecém, Rebeca Oliveira. Ela foi uma das participantes do painel ‘Futuro sustentável da infraestrutura nacional de transportes’, que integrou a programação do InfraESG, dentro do Fórum Brasil Export Infraestrutura 2025, ontem, em Brasília (DF).
Rebeca destacou a chegada de investimentos bilionários em Pecém voltados à transição energética, que têm promovido o desenvolvimento do complexo industrial e portuário cearense.
Ela falou sobre a parceria com o Banco Mundial, que destinou R$ 675 milhões para a ampliação do Terminal de Múltiplas Utilidades, com a construção de um novo berço, que também será utilizado como corredor para transmissão de água de reuso de energia e amônia. “A transição energética, agora, é um negócio. Um negócio pra todo mundo, o que é muito bom. O setor deixou de ser um grande causador de problema para a sociedade. Isso gera novos financiamentos, mais crescimento”, frisou a vice-presidente.
O presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, afirmou que o grande desafio da sustentabilidade no setor é saber como ‘pagar a conta’ para essas ações. Ele apontou a importância do país realizar a exploração da margem equatorial para promover a transição energética de forma sustentada, com os recursos necessários. “Não existe transição energética sem petróleo”, salientou.
Ele também falou sobre a necessidade de pensar em linhas de financiamento que abordem questões ecológicas, incluindo cláusulas concretas que obriguem investimentos em transição energética.
O gerente de sustentabilidade da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Uirá Cavalcante Oliveira, destacou algumas medidas regulatórias do órgão impostas em contratos com aspectos e temas voltados à sustentabilidade e mudanças climáticas. Isso inclui tanto medidas de adaptação, visando a resiliência, como a mitigação, iniciando o processo de descarbonização.
“Temos colocado nos contratos a necessidade de estudos, para avaliação de risco climático, para entender como a infraestrutura pode estar vulnerável, e apresentação de um planejamento voltado à adoção de medidas de adaptação. Isso faz sentido dentro da ótica econômica da atividade, considerando que esses impactos trazem prejuízos”, afirmou o gerente.
Ele ainda pontuou que os contratos desenhados pela agência muitas vezes trazem obrigações que já estão previstas na legislação, como forma de impulsionar essas práticas no setor. “A gente entende que seja um reforço para que o setor apresente maior conformidade e atendimento à implementação desses dispositivos”, explicou.
Rodoviário
No modal rodoviário, o diretor-presidente do Núcleo Paraná Federais da concessionária EPR, Marcos Moreira, destacou que as ações de sustentabilidade têm sido puxadas pela evolução das estratégias da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) nesse sentido. Ele afirmou que a agência reguladora tem trazido a pauta de ESG de maneira substancial nos novos contratos.
“No passado a concessão rodoviária era muito ligada ao tempo e performance de atendimento ao usuário, pavimento, manutenção, e isso ficava muito restrito a uma pauta fria, somente da engenharia. Hoje, a gente já tem, nos contratos, padrões de desempenho muito próprios e de observância muito relevante”, frisou o diretor.
O coordenador-geral da Subsecretaria de Sustentabilidade do Ministério dos Transportes, George Yun, ressaltou políticas públicas que agem no segmento de sustentabilidade no setor. Ele lembrou da Portaria nº 622/2024, que aloca 1% da receita bruta das concessões rodoviárias para resiliência climática. Além disso, 1,5% são direcionados a questões mais diversas em termos de sustentabilidade, abordando comunidade, diversidade e biodiversidade.
“Quando a gente fala de ESG, precisamos ter um olhar amplo para o social, verificando, ao longo das faixas de domínio, o que induz a infraestrutura e o que a infraestrutura induz em termos de segurança pública e viária, pensando também em como a governança territorial dialoga com a infraestrutura e a parte do meio ambiente. Precisamos olhar de forma integrada”, afirmou Yun