Nacional
Iniciativa discute desafios da descarbonização dos transportes na COP 30
Estação do Desenvolvimento é uma iniciativa que promove debates com autoridades para pensar soluções para o setor de transportes
Desde segunda-feira, 11 de novembro, a conferência da ONU sobre as mudanças climáticas, a COP 30, atrai os olhares do mundo para o Brasil. Como o setor de transporte é responsável por cerca de 47% das emissões dos gases do efeito estufa, o Sistema Transporte na COP30 levou para Belém, capital paraense que sedia o evento, a Estação do Desenvolvimento, uma iniciativa que promove debates e aproxima representantes do governo, empresas, acadêmicos e a sociedade civil das discussões sobre como o país pode enfrentar os desafios da descarbonização e seguir no caminho para o desenvolvimento sustentável.
Os temas abordados nas rodas de conversa giram em torno dos principais gargalos da infraestrutura de transportes. Alguns são a descarbonização da frota pesada, integração sustentável dos modais de transporte, o papel dos terminais na transição energética, os biocombustíveis, a inovação tecnológica, e o financiamento verde. Segundo a Confederação Nacional de Transporte (CNT) e outros parceiros responsáveis pela Estação do Desenvolvimento, é a primeira vez na história das Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas que o setor de transporte brasileiro ocupa posição de destaque com um espaço próprio e inteiramente dedicado ao tema.
“É um importante fórum para tratarmos de descarbonização do transporte e, mais especificamente, como a cabotagem pode contribuir para os termos uma matriz de transporte mais limpa, mais eficiente, com o uso do melhor modal, seja no transporte de cargas, em especial conteinerizadas”, declarou Luis Resano, diretor-executivo da Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem, a Abac, que integra o Sistema Transporte na COP30.
De acordo com a CNT, o Brasil tem um legado consolidado na busca pela descarbonização e pela eficiência energética no transporte. Alguns marcos fundamentais são o Proálcool, (Programa Nacional do Álcool) criado na década de 70, e o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores, que começou nos anos 80. Nas frotas de ônibus mais recentes do transporte coletivo pelo país, os veículos vem sendo substituídos por modelos de baixa emissão de gases. Outro modal que se destaca pela eficiência é a navegação interior. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, 25 barcaças que navegam pelos rios equivalem a cerca de 500 caminhões a menos trafegando pelas rodovias.
Para o diretor-executivo da Abac, a infraestrutura de transportes avança para mostrar a sustentabilidade e as possibilidades de contribuição para a matriz energética brasileira.
“Estamos no caminho da descarbonização, buscando atingir as contribuições nacionalmente determinadas, chamadas NDCs, importantes metas. Cobriremos, além das NDCs! Estaremos comprometidos com as decisões que a IMO vier a adotar no transporte marítimo para descarbonizar a atividade. O transporte marítimo é mais eficiente e energeticamente mais eficiente do que os outros modais”, concluiu Luis Resano.