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Fabiolla de Paula

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Costas eretas, ombros para trás: o que as lagostas ensinam sobre postura, imagem e liderança corporativa

No ambiente empresarial, onde liderança, influência e percepção são ativos estratégicos, a postura corporal torna-se um código de poder. Executivos que negligenciam sua imagem pessoal muitas vezes perdem oportunidades não por incompetência técnica, mas por não comunicarem, com clareza, sua segurança e capacidade de comando.

 

No primeiro capítulo do best-seller 12 Regras para a Vida, o psicólogo clínico e professor Jordan B. Peterson apresenta uma metáfora inusitada e poderosa: a batalha das lagostas. Apesar de serem crustáceos com sistema nervoso simples, as lagostas apresentam comportamentos sociais complexos, que envolvem disputa por território, demonstrações de força e organização hierárquica baseada em química cerebral.

Peterson usa esse exemplo ancestral, as lagostas existem há mais de 350 milhões de anos, para ilustrar como a postura física e a imagem corporal refletem e determinam a posição de um indivíduo em sua hierarquia social. Essa analogia, ainda que inusitada, possui aplicações diretas no universo corporativo: postura é linguagem silenciosa de liderança. E a imagem pessoal comunica valor antes mesmo da primeira palavra ser dita.


Da neuroquímica à autopercepção

Em uma disputa por território, duas lagostas se enfrentam com gestos ritualísticos: pinças abertas, movimentos laterais, jatos químicos lançados para informar o oponente sobre seu tamanho, humor, saúde e disposição para lutar. A lagosta vencedora conquista não apenas o espaço físico, mas também uma alteração em sua bioquímica: seus níveis de serotonina aumentam, enquanto a octopamina (associada ao recuo) diminui. O resultado é uma lagosta mais altiva, com postura ereta e comportamento dominante.

A lagosta derrotada, por outro lado, sofre uma queda em sua química cerebral, adota uma postura curvada, hesita em novos confrontos e ocupa menos espaço. Esse padrão não é exclusivo dos crustáceos. Em seres humanos, estruturas cerebrais ancestrais também monitoram nossa posição nas hierarquias sociais e, com base na forma como somos tratados, ajustam a liberação de serotonina, substância diretamente ligada à sensação de bem-estar, disposição e confiança.

Assim, um profissional que sofre sucessivas derrotas, rejeições ou negligência simbólica pode entrar em um ciclo de retração: menos serotonina, menos energia, postura corporal retraída, perda de presença. E, como Peterson alerta, um corpo curvado tende a ser tratado com menos respeito pelos outros, perpetuando o ciclo de baixa autoestima e desempenho reduzido.


Postura e imagem: o impacto silencioso no mundo corporativo

No ambiente empresarial, onde liderança, influência e percepção são ativos estratégicos, a postura corporal torna-se um código de poder. Executivos que negligenciam sua imagem pessoal muitas vezes perdem oportunidades não por incompetência técnica, mas por não comunicarem, com clareza, sua segurança e capacidade de comando.

Uma postura encurvada, ombros caídos, gestos hesitantes ou olhar vacilante transmitem insegurança, mesmo que inconscientemente. Já uma postura ereta, firme e aberta transmite presença, domínio do espaço e confiança, ativando nas outras pessoas a percepção de autoridade. A postura é, portanto, parte fundamental da imagem pessoal e deve ser tratada com o mesmo zelo estratégico dedicado ao currículo, networking e discurso.


O princípio da produção desnivelada e o posicionamento simbólico

Peterson também resgata o chamado “princípio da produção desnivelada”: em qualquer sistema natural ou social, uma minoria é responsável pela maioria dos resultados. No mundo das lagostas, poucas se tornam dominantes e controlam a maior parte do território e das parceiras. No universo da comunicação, 90% da linguagem se baseia em um vocabulário de apenas 500 palavras. No meio acadêmico, poucos autores produzem a maioria dos estudos científicos.

No mundo executivo, esse princípio se manifesta naqueles poucos profissionais que dominam sua imagem, sua linguagem não verbal e sua presença com excelência e, por isso, alcançam posições de maior influência, reconhecimento e autoridade.

Esses profissionais compreendem que imagem é performance simbólica. Que a maneira como entram em uma sala, se posicionam à mesa ou se apresentam em uma reunião influencia profundamente como serão percebidos e tratados. E que a postura é uma tecnologia silenciosa, mas altamente eficaz de comunicação de status.


Conclusão: liderar também é ocupar espaço com intenção

“Costas eretas, ombros para trás” não é apenas uma dica postural. É um manifesto de posicionamento. É um gesto físico de afirmação de valor. Em um mundo competitivo, repleto de disputas visíveis e invisíveis por atenção, influência e respeito, quem compreende a conexão entre biologia, postura e imagem pessoal sai na frente.

Liderar é também saber ocupar espaço — simbólica, emocional e fisicamente. É alinhar expressão corporal com propósito interno. E é comunicar valor antes mesmo que ele seja explicado em palavras.

Executivos que assumem essa consciência transformam a imagem pessoal em uma ferramenta estratégica de influência. Tal como a lagosta vitoriosa, eles projetam confiança, atraem respeito e constroem autoridade com uma presença que começa, literalmente, pelo corpo.

 

 

Fabiolla de Paula é consultora de imagem corporativa & varejo, especialista em etiqueta & comportamento, palestrante e mentora.

Ela escreve para o BE News semanalmente, com seus artigos publicados sempre às sextas-feiras

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