Estilo BE
Capricorniana que gosta de voar
“Só falta pular de Bungee Jump”, brinca Patrícia Póvia Gravina.
Diretora de Programa na Secretaria Especial da Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos da Casa Civil da Presidência da República, quando recorda a trajetória profissional e seu gosto por desafios.

Foto: Arquivo Pessoal
Mestre em Física, pela Universidade de Brasília, tem formação em gestão portuária, é especialista em Regulação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, tem pós-graduação em Direito Marítimo e Portuário e atuou como Coordenadora-Geral na modelagem de projetos e estruturação da carteira de leilões do Ministério de Portos e Aeroportos. Foi, por dois anos, presidente da Comissão de Licitações Permanente da ANTAQ.
Mineira de Ubá, Zona da Mata, veio para Brasília com os pais por volta dos três anos. Quando começou a Faculdade de Física, era a única mulher no primeiro semestre, as outras duas do curso já estavam se formando. E ela, que sempre teve dificuldades com a matéria, fez a escolha depois das aulas de um professor que trouxe uma nova visão: “Ele ensinava tão bem que fiquei fascinada. Como não gosto de decorar, aprendi pela primeira vez a entender de uma forma prática, tudo fazia sentido. Eu já gostava de Ciências e Química e queria trabalhar com pesquisa e de forma interdisciplinar.”
Patrícia comenta que no segundo semestre do primeiro ano o professor de Física II lhe ofereceu uma bolsa de iniciação científica para que pudesse trabalhar com ele. “Trabalhei na interface com Física e Biologia, com materiais magnéticos para aplicação no tratamento do câncer.”
Na fase do doutorado começaram os questionamentos sobre o momento de vida. Estava grávida e como bolsista não tinha direito à licença maternidade. A prioridade era o bebê e dar o melhor para ele. Continuou o curso durante o dia e em 2009 entrou na Antaq. “Eu nem imaginava o que faria, mas pensei que poderia aprender algo diferente, o que sempre me motivou. Meu receio era ir para o serviço público e ficar engessada e esse me pareceu um trabalho dinâmico.”
Responsável pela parte de desenvolvimento, regulação e estudos na gerência de navegação da Antaq, se entusiasmou: “A natureza do cargo era ligada a questionamentos, reflexões, problemas diferentes, interpretação de leis e normas. Em 2022 Eduardo Nery, diretor geral da agência, fez o convite para ficar em uma unidade ligada às licitações portuárias, próximo da diretoria. “Foi muito bom, tudo era novo, fizemos a licitação da Codeba – Companhia Docas do Espírito Santo – e assumi a presidência da Comissão de Licitação. Atuei em vários projetos no final do governo passado como os portos de Santos, São Sebastião, Itajaí e o início do processo de licitação da Companhia Docas da Bahia.”
Em 2024, recebeu outro convite tentador de Mariana Pescatori, então Secretária-Executiva do Ministério de Portos e Aeroportos, e Alex Ávila, Secretário Nacional de Portos e Aeroportos. “O setor de modelagem dos projetos de arrendamentos e concessões portuárias era bem diferente, embora com a mesma temática. “Foi maravilhoso e gratificante trabalhar com eles, estruturar projetos, buscar soluções, pensar fora da caixa, ser mais criativa, ter liberdade de alternativas e outros pontos de vista para resolver problemas.”
A última oportunidade há um ano, veio de Marcus Cavalcanti, Secretário Especial do PPI: “Muitas pessoas me abriram as portas. Quando olho para trás, vejo que estou construindo um caminho que tem um fio, aprendi muito. Hoje, além de acompanhar cronogramas, faço a articulação com o governo para destravar os projetos estratégicos. Gosto de conversar, escutar, tenho jogo de cintura para ir lapidando as questões e enriquecer as soluções. Acompanho projetos portuários, hidroviários, aeroportos e ferrovias, transportes em geral”.
A primeira concessão de canal de acesso foi o desafio mais recente: o projeto do Canal de Paranaguá. Fez viagens internacionais para encontrar investidores e abrir financiamentos para os vencedores do leilão. O Terminal de Contêineres de Santos também está entre suas demandas: “É nossa prioridade e vai sair em breve, estamos próximos do gol”, diz.
Casada com o físico Tiago França, tem os filhos Carolina, 18 anos, e João, de 12. Mesmo trabalhando muito, explica que é importante ser transparente e mostrar para eles como é importante ter uma vida profissional. Gosta de praticar esportes e sua paixão é a leitura: “Entrei num clube e virei uma devoradora de livros, ampliando os gêneros, antes só lia obras técnicas.”
Durante esse ano dois livros chamaram sua atenção e ela indica: “Fiquei deslumbrada com “Cem anos de solidão”, de Gabriel García Márquez, adoraria escrever como ele. O outro que terminei recente é “Um defeito de cor”, da Ana Maria Gonçalves, foi tão intenso que fiquei com ressaca literária”, brinca.
