Região Norte
Estudo revela custos futuros pela falta de ações na bacia Amazônica
Levantamento prevê gasto entre 14% e 33% do PIB dos países amazônicos nos próximos anos, caso não haja agora intervenções contra as mudanças climáticas
Nesta quarta-feira (19/11), durante a segunda semana da COP30, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), lançou o estudo “Medindo os custos de inação e as capacidades estatais na Bacia Amazônica”.
A iniciativa utiliza uma abordagem inovadora combinando revisão sistemática de literatura produzida entre 2000 e 2024 sobre o tema com ferramentas de inteligência artificial, que revelou custo estimado entre 14% e 33% do PIB dos países amazônicos (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela) até 2070, caso não haja intervenções preventivas imediatas na região.
Por isso, o estudo se alinha com a agenda do MGI na COP30 ao defender o reforço das capacidades estatais para enfrentar os desafios da agenda climática.
Representando o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, o secretário Extraordinário para a Transformação do Estado, Francisco Gaetani, destacou que a discussão sobre a região Amazônica exige cooperação regional e visão integrada entre os países sul-americanos.
“A gente tende a pensar a Amazônia como uma realidade brasileira. Mas a Amazônia é uma realidade da América do Sul e afeta um conjunto significativo de países, sendo uma conversa com perspectiva regional. Hoje, mais do que nunca, retomar essas conversas é relevante para todos nós e uma agenda permanente”, pontuou.
A estimativa de custo decorre de um conjunto robusto de evidências científicas que apontam impactos diretos e indiretos das mudanças climáticas na região da bacia Amazônica. Esses impactos envolvem a biodiversidade e serviços ecossistêmicos; o armazenamento de carbono; a produção agrícola; a saúde pública, especialmente decorrentes de incêndios e arboviroses; infraestrutura e logística e os deslocamentos forçados e migrações. O estudo revelou ainda que existem lacunas críticas nas políticas nacionais atuais dos países, sendo essencial uma cooperação regional robusta para enfrentar os desafios, com ampla participação das comunidades locais.

O estudo anunciado se alinha à agenda na COP30 ao defender o reforço das capacidades estatais para enfrentar os desafios da agenda climática. Foto: Divulgação
Riscos
Os principais impactos identificados são: 1) Redução de precipitações: Diminuição de 7,9% no oeste amazônico; 2) Extensão da temporada seca: Prolongamento significativo dos períodos secos; 3) Aumento de temperatura: Incrementos de até 2-3,3°C em áreas deflorestadas; 4) Alterações hídricas: Redução de até 22% nos caudais de rios; 5) Redução da evapotranspiração: Diminuição de 10% em áreas deflorestadas; 6) Risco de incêndios: Duplicação do risco na Amazônia oriental.
A partir dos riscos identificados, o estudo analisou as perdas econômicas que a falta de ação causará aos países da bacia Amazônica nos próximos quatro anos, com o total estimado entre US$ 525 bilhões e US$ 915 bilhões anuais, o que representa entre 14% e 33% do PIB dos países da bacia.
As principais categorias de custos identificadas foram: biodiversidade e serviços ecossistêmicos (US$ 50-100 bilhões/ano), perda de carbono armazenado (USD 30-50 bilhões/ano), impactos na agricultura: (US$ 20-30 bilhões/ano), regulação hidrológica (US$ 20-30 bilhões/ano), perda de produtividade (US$ 15-25 bilhões/ano) e custos de cenários catastróficos (US$ 100-200 bilhões/ano).