Comércio exterior
Taxas: decisão dos EUA devolve competitividade ao Brasil
Anúncio inclui reembolso retroativo a exportadores e é vista pelo governo como o maior avanço nas negociações bilaterais
Os Estados Unidos decidiram retirar a sobretaxa de 40% aplicada a uma ampla lista de produtos brasileiros, medida considerada pelo governo Lula como o maior avanço nas negociações bilaterais desde o início do chamado “tarifaço”. A decisão devolve competitividade a setores do agronegócio e da indústria, especialmente itens como café, cacau, açaí, carne, tubérculos e fertilizantes, que haviam sido diretamente atingidos pela cobrança adicional.
Segundo a economista Daniela Freddo, o impacto imediato é significativo: impedir um choque negativo de alguns bilhões de dólares por ano e abrir caminho para a retomada gradual das exportações brasileiras a partir de 2026. Para ela, retirar uma tarifa de 40% é equivalente a “tirar uma mochila de pedra das costas do exportador brasileiro”, aliviando custos e fortalecendo a capacidade de disputa do Brasil nos mercados internacionais.
O governo comemorou publicamente o recuo americano. Em coletiva, o vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, destacou que 238 produtos foram retirados do tarifaço, reduzindo de 36% para 22% a parcela da pauta exportadora ainda sujeita às sobretaxas impostas em abril, sob justificativa de segurança nacional. Para Alckmin, a medida evita perda de mercados estratégicos para concorrentes globais e representa um passo decisivo na recomposição da relação comercial com Washington.
Outro ponto relevante é o efeito retroativo: exportadores brasileiros devem ser reembolsados pelo governo dos EUA por vendas realizadas desde 13 de novembro, data utilizada como marco pela Casa Branca. Alckmin atribuiu o avanço ao diálogo direto entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, além das conversas do chanceler Mauro Vieira com o secretário de Estado Marco Rubio. No entanto, reforçou que as negociações continuam para remover tarifas remanescentes que ainda afetam setores como pescado, mel, uva e produtos industriais.
As sobretaxas entraram em vigor em abril deste ano, com tarifas adicionais de 10% e 40% sobre centenas de bens brasileiros. O impacto foi imediato: contratos foram redirecionados para outros fornecedores internacionais, e a medida ampliou tensões na relação comercial entre os dois países. Com a retirada parcial das cobranças, o Brasil tenta agora recuperar espaço perdido e avançar na revisão dos pontos que ainda permanecem pendentes na agenda bilateral.