Região Norte
Belém é colocada no radar das próximas temporadas de cruzeiros
Ministério do Turismo envia ofício à Clia Brasil destacando a estrutura da capital paraense após a COP30 e defendendo sua inclusão em roteiros nacionais e internacionais
O Ministério do Turismo iniciou tratativas com a Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil) para incluir Belém (PA) em novos roteiros nacionais e internacionais de cruzeiros nas próximas temporadas. Em ofício enviado à entidade, a pasta destacou o potencial do Terminal Portuário de Outeiro, que passou por ampliação e modernização durante os preparativos para a COP30, tornando-se apto a receber embarcações de grande porte. O objetivo é consolidar a capital paraense como ponto de escala e operação relevante na Região Norte.
O documento também ressaltou fatores logísticos, operacionais e comerciais considerados essenciais para integrar Belém aos itinerários de cruzeiros, ampliando a oferta turística, estimulando o desenvolvimento socioeconômico local e fortalecendo a presença da Amazônia no segmento. “Com essa ampliação para Belém, teremos a possibilidade de aumentar, cada vez mais, o número de visitantes nacionais e internacionais para o turismo na Amazônia, oferecendo uma experiência satisfatória. A COP30 foi a prova de que somos capazes disso”, afirmou o ministro do Turismo, Celso Sabino.
Em resposta, a Clia Brasil manifestou interesse “em contribuir tecnicamente e internacionalmente para a promoção de Belém e para a construção de um ambiente mais favorável à atração de navios e operações no país”. A entidade também se comprometeu a disseminar, entre as 43 companhias associadas que operam 310 navios e têm 81 novas embarcações encomendadas até 2036, informações técnicas e materiais institucionais sobre o Terminal de Outeiro, sua infraestrutura e logística, além de dados sobre atrativos turísticos e culturais da região e possibilidades de conexão com o Sul do Caribe, Amazônia e Norte/Nordeste.
O avanço das tratativas ocorre em um momento marcado pela recente operação dos dois transatlânticos que funcionaram como hotéis flutuantes no Porto de Outeiro durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30).
Localizado no distrito de Belém, o complexo portuário passou por uma requalificação conduzida pela Companhia Docas do Pará (CDP) para atender às demandas da conferência. As obras modernizaram e ampliaram o cais, permitindo a atracação de navios de grande porte. A intervenção, concluída em seis meses, foi descrita pelo presidente da CDP, Jardel Rodrigues da Silva, como um trabalho de alta complexidade. “Foi uma obra desafiadora. Pelo tempo, que foi muito curto, pela burocracia e pelas condições de maré da nossa baía. Mas nenhum desses desafios foi maior do que a vontade de entregar a obra”, afirmou. Ele acrescentou que, segundo comandantes de embarcações, o terminal é hoje considerado “o mais adequado e o melhor do Brasil”.
Segurança e mobilidade
A operação dos transatlânticos durante a COP30 mobilizou um esquema integrado de segurança e mobilidade, que envolveu órgãos estaduais e federais. O terminal foi classificado como um dos mais seguros do país e contou com a atuação coordenada da Secretaria de Segurança Pública, Marinha, Exército, Polícia Civil, Polícia Militar e Guarda Portuária, esta equipada com drones com visão térmica.
A presença dos navios também gerou impactos imediatos na economia local. Para Gabriela Lima, gerente de projetos da Secretaria Extraordinária para a COP30 (Secop), o resultado fortalece a atividade turística na região. “É um legado importante, que vai ser deixado para movimentar o turismo. O ministro Celso Sabino (do Turismo) também esteve aqui e está trabalhando para que essas rotas de cruzeiro continuem e fomentem o desenvolvimento na região”, afirmou. Moradores e trabalhadores de Outeiro também perceberam a movimentação. Thaís Akemi Cunha dos Santos, encarregada das equipes da empresa Trevo Amazônia, destacou que os transatlânticos trouxeram renda adicional para a comunidade e deram maior visibilidade à Praia da Brasília.
Jardel Rodrigues avalia que o período reforçou a imagem do estado no cenário nacional e internacional. “O Brasil descobriu Belém e o mundo descobriu um estado na Amazônia. Estamos muito felizes com isso”, disse.
A partida do Costa Diadema e do MSC Seaview, que juntos ofertaram 6 mil leitos, encerrou a operação em clima de celebração. Para Gabriela Lima, a experiência foi “acima do esperado” e demonstrou o potencial da região para novas operações de cruzeiros.