Nacional
Petrobras corta investimentos em projetos de energia eólica e solar
Magda Chambriard disse que novas plantas renováveis só fazem sentido se atenderem às próprias refinarias da estatal
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, foi categórica ao comentar o corte na previsão de investimentos da companhia em projetos de geração solar e eólica. Em entrevista coletiva, ela afirmou que o avanço do curtailment — cortes obrigatórios de geração quando há excesso de oferta — e a sobra de energia renovável no país inviabilizam novos projetos voltados para a rede.
“Só faz sentido ter solar se o offtaker formos nós mesmos. A solar se viabiliza se for dentro do nosso sistema, nas refinarias. Esse curtailment está dizendo o seguinte: está sobrando 9% de energia entre solar e eólica e isso gera instabilidade no sistema. Curtailment é, na verdade, perda de energia. Botar essa energia na rede para jogar fora não faz sentido.”
O novo Plano Estratégico 2026–2030 reduziu em US$ 2 bilhões a previsão de investimentos em Gás Natural e Energia de Baixo Carbono. A capacidade de geração prevista para projetos renováveis caiu de 4,7 GW para 1,7 GW, uma redução de quase 64%.
Segundo a diretora de gás e energia de baixo carbono, Angelica Laureano, a prioridade do plano passou a ser a “molécula” — gás natural e biocombustíveis — o que empurrou parte dos projetos de geração eólica e solar para o fim do período.
“Como priorizamos a questão da molécula, [o investimento em] geração eólica é que foi reduzido. Hoje, com excesso de energia no mercado, haja vista a questão do curtailment, isso fica limitado.”
Mesmo com o corte, a Petrobras espera concluir em 2026 seu primeiro projeto fotovoltaico para consumo interno, na Regap, em Minas Gerais. Também estão previstas unidades na Replan, na Rnest e no Complexo Boaventura, totalizando 55,5 MW de capacidade destinados às refinarias.
O plano destaca ainda a estratégia da estatal para o LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade), previsto para março de 2026. A companhia pretende disputar com 2,9 GW de térmicas existentes e um novo projeto de 400 MW no Complexo Boaventura, no Rio de Janeiro.
Outro ponto sensível é a definição das tarifas de transporte de gás natural, atualmente em revisão na ANP. A estatal acompanha o processo e, nos bastidores, defende um modelo tarifário específico para termelétricas. A agência, porém, já sinalizou que não há tempo hábil para implementar uma tarifa diferenciada e que qualquer mudança precisaria valer para todos os segmentos.
Com menos espaço para fontes eólicas e solares e um foco crescente na geração para consumo interno e no gás natural, a Petrobras ajusta sua estratégia para os próximos cinco anos em meio ao desafio do curtailment e ao cenário de excesso de oferta no mercado de energia.