Região Sudeste
Petrobras compra fatias da União em Mero e Atapu por R$ 8,8 bilhões
Operações feitas em consórcio com a Shell elevam participação da estatal nas duas jazidas e marcam o primeiro leilão do tipo após a nova lei dos AIPs
A Petrobras ampliou sua presença em duas das áreas mais produtivas do pré-sal ao adquirir, em parceria com a Shell, as participações pertencentes à União nas jazidas de Mero e Atapu. As ofertas foram apresentadas no Leilão de Áreas Não Contratadas, realizado nesta quinta-feira (4) pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) na B3, em São Paulo. O certame marcou a primeira operação desse tipo desde a aprovação, em julho deste ano, da lei que autoriza o governo federal a vender seus direitos e obrigações em acordos de individualização da produção (AIPs) em regiões do pré-sal ainda não concedidas ou não partilhadas.
O consórcio formado por Petrobras (80%) e Shell (20%) arrematou 3,500% da União na jazida compartilhada de Mero, por R$ 7,79 bilhões. Com o resultado, a participação da Petrobras no campo aumenta de 38,60% para 41,40%. No caso de Atapu, a companhia liderou o consórcio composto por Petrobras (73,24%) e Shell (26,76%), que comprou 0,950% da União por R$ 1,001 bilhão, elevando a participação da estatal de 65,687% para 66,38%. As duas propostas foram feitas sem concorrência, conforme informado pela PPSA.
Somados, os lances nas duas áreas alcançaram cerca de R$ 8,8 bilhões, valor que será direcionado ao governo federal. Segundo a Petrobras, R$ 6,97 bilhões serão desembolsados ainda em dezembro de 2025, com a assinatura dos contratos prevista para ocorrer até março de 2026. A empresa destacou que o dispêndio estava previsto em seu planejamento financeiro e que os volumes adquiridos, embora não estivessem originalmente no plano, permanecem dentro da margem de variação de ±4% projetada na curva de produção do Plano de Negócios 2026–2030.
A ampliação das participações foi apresentada pela Petrobras como parte da estratégia de longo prazo definida no Plano de Negócios 2026–2030, que inclui reposição de reservas e manutenção da resiliência econômica e ambiental das operações. O leilão integra o processo de consolidação dos AIPs, mecanismo que regula a exploração de jazidas que se estendem por áreas com diferentes regimes contratuais.
Além de Mero e Atapu, o certame ofertou a jazida de Tupi, que não recebeu propostas. O resultado ficou abaixo da expectativa inicial de arrecadação, em razão da ausência de concorrência e da participação restrita aos consórcios liderados pela Petrobras.
Atratividade
A PPSA, vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), destacou que o leilão movimentou R$ 8,8 bilhões e reforçou a atratividade das áreas do pré-sal. Segundo a estatal, a venda das participações da União — 3,50% em Mero e 0,950% em Atapu — registrou ágio médio de 3,3%, com destaque para Atapu, que alcançou ágio de 16% sobre o valor mínimo estabelecido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que “os resultados do leilão mostram que acertamos ao apostar na transparência, na previsibilidade e na boa governança. O mercado respondeu com confiança, e isso se traduz em mais investimentos, mais arrecadação e mais desenvolvimento socioeconômico para o Brasil”.
Segundo o MME e a PPSA, o leilão representa um marco para a governança do pré-sal ao permitir que a União transfira seus direitos e obrigações com segurança jurídica e critérios técnicos e econômicos definidos. A iniciativa também busca estimular investimentos, acelerar projetos de exploração e produção e fortalecer a participação direta da União nos resultados, por meio de bônus de assinatura e da partilha do excedente em óleo.
Com a conclusão do processo, os vencedores passam a assumir integralmente os compromissos previstos nos AIPs, incluindo descomissionamento, recuperação ambiental e continuidade operacional. O MME afirma que o modelo reforça a transparência regulatória e contribui para a modernização do setor de óleo e gás, com impactos diretos na cadeia produtiva e na arrecadação federal.