Região Sudeste
Evento no Rio celebra início da produção do campo de Bacalhau
Cerimônia marcou simbolicamente a entrada em operação do projeto do pré-sal operado pela Equinor, com capacidade de até 220 mil barris por dia
O Ministério de Minas e Energia participou, na segunda-feira (15), no Rio de Janeiro, da cerimônia que celebrou o início da produção do campo de Bacalhau, localizado no pré-sal da Bacia de Santos. Embora a produção tenha sido iniciada em outubro, o evento marcou oficialmente a entrada em operação de um dos projetos considerados mais relevantes em desenvolvimento no país, reunindo alta capacidade produtiva, investimentos de longo prazo e a adoção de tecnologias voltadas à redução da intensidade de emissões de carbono.
O campo de Bacalhau conta com reservas recuperáveis estimadas em mais de 1 bilhão de barris de óleo equivalente e investimentos da ordem de US$ 8 bilhões. O projeto opera com um dos navios-plataforma mais modernos do mundo, com capacidade para produzir até 220 mil barris de petróleo por dia. A unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência (FPSO) adota tecnologia inédita no Brasil, com sistema de ciclo combinado para geração de energia a bordo, o que permite alcançar uma das menores intensidades de carbono do setor, estimada em cerca de 9 quilos de CO₂ por barril produzido, aproximadamente metade da média global da indústria.
Durante a cerimônia, o secretário nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do MME, Renato Dutra, afirmou que a entrada em operação do campo simboliza um avanço estratégico para o país. “Bacalhau é um exemplo de como o Brasil pode ampliar sua produção de petróleo de forma competitiva, segura e alinhada à agenda de eficiência e sustentabilidade. É um projeto que gera empregos, fortalece a arrecadação e contribui para a segurança energética nacional, ao mesmo tempo em que incorpora tecnologias de ponta para a redução de emissões”, disse.
Além de ampliar a oferta nacional de petróleo, o projeto deve gerar mais de 50 mil empregos ao longo de seu ciclo de vida e cerca de US$ 10 bilhões em royalties e participações governamentais, com impactos diretos na economia e no desenvolvimento regional. O campo é operado pela norueguesa Equinor, em parceria com a ExxonMobil Brasil e a Petrogal Brasil — joint venture entre a portuguesa Galp e a chinesa Sinopec —, além da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), estatal vinculada ao Ministério de Minas e Energia e responsável pela gestão do contrato de partilha de produção.
Em comunicado divulgado anteriormente, a Equinor informou que o início da produção ocorreu cerca de um ano depois do cronograma originalmente previsto, quando a decisão final de investimento foi tomada, em 2021. Em 2023, a companhia havia anunciado o adiamento do início das operações de 2024 para 2025 em razão de atrasos provocados pela pandemia da Covid-19, que impactaram o andamento dos trabalhos. Segundo a empresa, Bacalhau é o maior campo offshore internacional desenvolvido pela Equinor até o momento. “Com esse desenvolvimento, estamos fortalecendo a longevidade de nossa produção de petróleo e gás e garantindo a criação de valor para as próximas décadas”, afirmou o CEO da companhia, Anders Opedal.
Descoberto em 2012, o campo está localizado a cerca de 185 quilômetros da costa do Estado de São Paulo, em águas ultraprofundas da Bacia de Santos. O projeto também se destaca por ser o primeiro do regime de partilha de produção no Brasil a contar com um FPSO operado por uma empresa estrangeira, consolidando o ambiente de cooperação entre empresas nacionais e internacionais e reforçando a atratividade do país para investimentos no setor de óleo e gás.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, também participou da cerimônia e destacou o significado do projeto. “O início das atividades no projeto Bacalhau é uma demonstração da confiança internacional no nosso país e na segurança jurídica que temos garantido no setor. O governo do presidente Lula trabalha para transformar o potencial energético do Brasil em desenvolvimento social, geração de empregos e oportunidades para brasileiras e brasileiros”, afirmou.
A PPSA atua como parceira no campo, na condição de gestora do contrato de partilha, com a atribuição de assegurar que a parcela da produção e os recursos gerados retornem à União. Segundo o Ministério de Minas e Energia, o projeto integra o conjunto de investimentos estruturantes que reforçam o papel do pré-sal na matriz energética brasileira e se soma às ações do programa Potencializa E&P, criado pela pasta para ampliar a atratividade e a eficiência dos projetos de exploração e produção no país, estimulando novos investimentos e fortalecendo a política de conteúdo local.
No consórcio de Bacalhau, a Equinor detém 40% de participação, a ExxonMobil Brasil outros 40% e a Petrogal Brasil os 20% restantes. Com a entrada em operação, o campo passa a contribuir para a produção nacional em um momento de ampliação dos investimentos no pré-sal e de incorporação de padrões tecnológicos voltados à eficiência energética e à redução das emissões na indústria de óleo e gás.