Rodovias
Má qualidade do pavimento eleva custos do transporte rodoviário, aponta CNT
Pesquisa estima aumento médio de 31,2% nos custos operacionais e desperdício anual de R$ 7,2 bilhões em diesel
A edição 2025 da Pesquisa CNT de Rodovias, divulgada na quarta-feira (17) pela Confederação Nacional do Transporte, aponta que a qualidade do pavimento tem impacto direto sobre os custos da operação de transporte no país. De acordo com o levantamento, quanto pior a condição da via, maiores tendem a ser o consumo de combustível, o desgaste dos veículos e o tempo de deslocamento.
Considerando os trechos classificados como Bom, Regular, Ruim ou Péssimo, a CNT estima que a condição do pavimento eleve, em média, em 31,2% os custos operacionais do transporte rodoviário no Brasil. Nas rodovias sob gestão pública, onde 64,4% dos trechos apresentam algum problema no pavimento, o aumento médio dos custos pode chegar a 35,8%. Já nas rodovias concedidas, 34,4% dos trechos apresentam irregularidades, resultando em um acréscimo médio de até 18,4% nos custos operacionais em comparação com rodovias classificadas como Ótimas.
O levantamento estima ainda que a má qualidade do pavimento gera um desperdício anual de aproximadamente R$ 7,2 bilhões apenas com o consumo adicional de diesel, calculado em cerca de 1,2 bilhão de litros. Segundo a CNT, esse montante seria suficiente para financiar iniciativas de baixo carbono, como a aquisição de caminhões elétricos, a produção de combustíveis renováveis ou ações de reflorestamento.
Na área de segurança viária, a Pesquisa CNT de Rodovias relaciona a deficiência da infraestrutura a elevados custos econômicos e sociais. Entre janeiro de 2016 e julho de 2025, foram registrados 697.435 acidentes nas rodovias federais monitoradas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). O custo econômico acumulado desses acidentes é estimado em R$ 149,67 bilhões, valor que inclui despesas com atendimentos de emergência, perdas de cargas, danos aos veículos e outros impactos sociais.
De acordo com a CNT, os dados reforçam a importância da manutenção do ciclo de investimentos em infraestrutura rodoviária, com foco na elevação do padrão de conservação das vias. A entidade associa a melhoria da qualidade das rodovias à redução de custos operacionais, de emissões e de riscos para empresas transportadoras e demais usuários da malha viária brasileira.