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Instituto quer investir em matriz renovável do oceano e criar centro especializado

Atualizado em: 22 de December de 2025 às 17:55
Patrícia Fahlbusch Enviar e-mail para o Autor

Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas quer criar o Centro Temático de Energia Renovável no Oceano

O Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas quer criar o Centro Temático de Energia Renovável no Oceano, o Energia Azul, para desenvolver 4 tecnologias para produção de energia renovável offshore, ou seja, em alto-mar. São eles, conversão de energia das ondas, correntes de maré, gradiente térmico do oceano e produção de hidrogênio verde. O instituto venceu um edital da Financiadora de Estudos e Projetos no valor de cerca de R$ 15 milhões. Cerca de 4 milhões serão investidos em bolsas de pesquisa para estudantes de mestrado, doutorado e pós-doutorado em parceria com três universidades federais e a Fundação Getúlio Vargas. O objetivo é fortalecer a formação de especialistas e expandir a produção de conhecimento em energias oceânicas no país.

“A importância do Oceano está ligada não só a cobertura que o oceano tem em relação à Terra, que é superior a 71%, mas o efeito que ele tem sobre a população e principalmente a zona costeira”, declarou Segen Estefen, diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas. 

Segundo o instituto, as iniciativas tem aplicação industrial e podem reduzir emissões em setores de difícil abatimento, como as plataformas de óleo e gás, fertilizantes, siderurgia, transporte e cimento. Atualmente, há unidades flutuantes que utilizam turbinas movidas a gás natural. Parte da geração pode ser substituída por fontes limpas produzidas no oceano.

Um dos projetos simula fisicamente a produção de hidrogênio a partir de energia eólica offshore. Para isso, usa água do mar dessalinizada para eletrólise, ou seja, a conversão de energia elétrica em energia química. Aqui, a aplicação soluciona a intermitência da geração eólica, permite armazenar energia sob a forma de hidrogênio, e garante estabilidade ao sistema elétrico.

“Nós sabemos que vivemos uma época de mudanças climáticas e a origem de muitos desses eventos está ligada ao oceano são fenômenos que acontecem no oceano como, por exemplo, o aquecimento do oceano, e isso reflete em tempestades e outros eventos naturais no continente. O oceano ele é a nova fronteira de desenvolvimento econômico e social, isso é inexorável. A economia vai se mover em direção ao Oceano cada vez mais e nós temos que fazer com que esse movimento se dê com preservação e sustentabilidade do Oceano”, afirmou Segen Estefen. 

Cerca de 250 gigawatts em projetos de eólica offshore estão em licenciamento no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Obama) atualmente, mas somente 20% forem implantados. A turbina para aproveitamento de correntes de maré será capaz de operar tanto no oceano quanto em rios de fluxo contínuo.

“Ao mesmo tempo que queremos desenvolver novas atividades, gerar empregos, nós temos que preservar, porque esse é um grande bem da humanidade talvez o bem mais importante que a humanidade possui”, concluiu Segen Estefen. 

 

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