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Região Sul

Moegão chega a 80% e prepara nova lógica para a descarga ferroviária no PR

26 de December de 2025 às 9:38
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Projeto no Porto de Paranaguá prevê centralizar até 900 vagões por dia, reduzir impactos urbanos e elevar a capacidade anual para 24 milhões de toneladas

As obras do Moegão, complexo ferroviário que vai centralizar a recepção de granéis vegetais sólidos nos portos do Paraná, alcançaram 80,29% de execução, segundo medições técnicas realizadas na primeira quinzena de dezembro. O empreendimento está sendo construído no Porto de Paranaguá e deverá concentrar, em um único ponto, a descarga de trens carregados com grãos e farelos, com posterior distribuição das cargas para 11 terminais interligados ao sistema.

O projeto é executado pela Portos do Paraná e conta com investimentos superiores a R$ 650 milhões, provenientes de recursos próprios da autoridade portuária e de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). De acordo com o cronograma, a conclusão da obra está prevista para o início de fevereiro de 2026.

O avanço físico do empreendimento varia conforme as frentes de trabalho. A parte civil, que inclui a estrutura física do complexo, está 87% concluída. Os sistemas mecânicos atingiram 85,24% de execução, enquanto a etapa elétrica soma 57,81%. As equipes atuam, neste momento, na finalização da instalação dos sistemas de Prevenção e Combate a Incêndio (SPCI) e do Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA).

As próximas fases envolvem a implantação da automação do complexo, a realização dos testes de segurança em todos os sistemas e a construção de uma subestação de energia exclusiva para o Moegão, que será responsável por abastecer toda a estrutura operacional.

“O Moegão vai revolucionar a logística ferroviária do Paraná e beneficiar a comunidade. É um financiamento que está sendo custeado 100% pela Portos do Paraná e temos certeza que trará importantes resultados”, afirmou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia.

Centralização

Quando entrar em operação, o Moegão terá capacidade para receber até 24 milhões de toneladas de grãos e farelos por ano, atendendo os terminais do Corredor de Exportação Leste (Corex). Atualmente, cerca de 550 vagões são descarregados diariamente nos terminais de exportação do Porto de Paranaguá.

Com a nova estrutura, a descarga ferroviária passará a ser concentrada em um único ponto, com capacidade para movimentar até 900 vagões por dia. Os granéis vegetais serão descarregados e seguirão por correias transportadoras até os 11 terminais conectados ao sistema, de onde serão direcionados aos navios.

Segundo Diego Weber Rafaeli, gerente de contratos da Tucumann, uma das quatro empresas responsáveis pela execução do projeto — ao lado da TMSA, Zortea e Engeluz —, o ganho operacional será expressivo. “Isso aqui vai ser fenomenal, o Moegão terá condições de movimentar por dia até 68 mil toneladas. É uma grande recepção de produtos. A Portos do Paraná está subindo a régua em termos de movimentação de granéis no modal ferroviário”, disse.

Além do aumento da capacidade de movimentação, a centralização da descarga ferroviária deve reduzir impactos no trânsito local. Com o novo sistema, as composições férreas deixarão de acessar diretamente os armazéns para descarregar, eliminando manobras internas. O número de cruzamentos ferroviários com interrupções nas vias de acesso à área portuária cairá de 16 para cinco.

Integração

O Moegão faz parte de um conjunto mais amplo de obras e investimentos em andamento no Porto de Paranaguá. Em abril deste ano, a Portos do Paraná concluiu a regularização de todas as áreas arrendáveis do porto por meio de leilões, etapa considerada fundamental para dar segurança jurídica às parcerias público-privadas e viabilizar novos aportes.

Ao todo, nove leilões já resultaram em R$ 5,7 bilhões em investimentos e mais R$ 1,1 bilhão em outorgas. Entre esses projetos estão os arrendamentos dos PARs 14, 15 e 25, que garantirão a construção do Píer em “T”.

Do total de R$ 2,2 bilhões que serão investidos pelas arrendatárias, R$ 1,2 bilhão será destinado à construção do novo píer, que contará com quatro novos berços de atracação. O Governo do Estado do Paraná também fará um aporte adicional de R$ 1 bilhão para viabilizar a obra.

O novo píer será equipado com um sistema de esteiras transportadoras de alta capacidade, responsável por levar os produtos dos terminais até os porões dos navios. Atualmente, o sistema em operação permite a movimentação de cerca de 3 mil toneladas de soja por hora. Com a nova estrutura, esse volume deverá alcançar 8 mil toneladas por hora.

A ampliação da infraestrutura permitirá, ainda, a operação de embarcações maiores, o que tende a aumentar a movimentação de cargas e reduzir custos operacionais no escoamento da produção.

Canal de acesso

A recepção de navios de maior porte está diretamente associada à concessão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá, realizada em 22 de outubro, por meio de leilão na B3, em São Paulo. O consórcio vencedor será responsável por ampliar a profundidade do canal, elevando o calado dos atuais 13,3 metros para 15,5 metros em um prazo de até cinco anos.

Atualmente, os navios que operam no porto transportam até 78 mil toneladas de grãos ou farelos. Com o novo calado, a capacidade de carga por embarcação poderá chegar a 125 mil toneladas. “É um ganho expressivo na competitividade do Porto de Paranaguá”, afirmou Luiz Fernando Garcia.

A concessão também prevê a implantação do Vessel Traffic Management and Information System (VTMIS), sistema de gerenciamento e informação do tráfego de embarcações. A tecnologia permitirá maior controle da navegação no canal de acesso, com impactos na segurança da operação, na proteção ambiental e na eficiência das manobras.

A instalação do VTMIS também deve beneficiar o trabalho dos práticos, profissionais responsáveis pela condução dos navios desde a entrada do canal até a atracação, contribuindo para tornar o processo mais ágil e seguro.

 

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