Inovação no serviço de caminhões em Santos
A digitalização da interface logística entre o cais e a estrada ganha um novo contorno estratégico com o lançamento do aplicativo Smart Gate, pela DP World Brasil. No complexo portuário de Santos (SP), onde a fluidez do tráfego rodoviário é um desafio crônico, a introdução de uma ferramenta que coloca a gestão do agendamento diretamente nas mãos do motorista representa uma ruptura com modelos arcaicos de dependência informacional. Ao reduzir a intermediação burocrática entre transportadoras e caminhoneiros, a companhia não apenas moderniza o acesso ao seu terminal na margem esquerda, mas ataca diretamente a ociosidade improdutiva nas filas de espera.
O desenvolvimento do dispositivo, fruto de um diálogo direto com os operadores do transporte, foca na erradicação de divergências de dados que hoje comprometem 10% das transações diárias. A eficiência é medida em minutos: enquanto uma entrada regular consome sessenta segundos, falhas informacionais elevam esse tempo para cinco minutos. Em um ecossistema que processa mais de 2 mil operações por dia, essa disparidade de tempo é o divisor entre a fluidez e o congestionamento.
É imperativo destacar a importância da iniciativa da DP World Brasil, de desenvolver um app para melhorar a eficiência do serviço dos caminhões que atendem seu terminal no Porto de Santos. A autonomia concedida a cerca de 40 mil motoristas cadastrados permite que o profissional planeje sua jornada com a precisão de um check-in aeroportuário. Como o rendimento do caminhoneiro está atrelado ao número de viagens realizadas, a tecnologia se traduz em ganho direto de renda e dignidade laboral, ao passo que a transportadora otimiza o uso de sua frota.
Nesse cenário, defende-se que a postura da DP World Brasil, de buscar inovações para melhorar a eficiência de suas operações, seja seguida pelos demais terminais portuários. A logística de “ganha-ganha” descrita pela administração da DP World deve servir de paradigma para todo o setor. A resistência à adoção de soluções digitais em áreas de gate perpetua gargalos que encarecem o produto nacional e desgastam o elo mais frágil da corrente: o transportador autônomo.
A eliminação gradual de pendências documentais, por meio de processos automatizados, eleva a capacidade de atendimento sem a necessidade de expansão física imediata, um ativo valioso em áreas portuárias saturadas. Nesse sentido, a modernização do Porto de Santos exige que a inovação deixe de ser uma ação isolada de terminais privados de excelência e passe a compor um padrão sistêmico de operação.
O sucesso do Smart Gate pavimenta o caminho para que a tecnologia de gestão de fluxos se torne o requisito básico de competitividade. E espera-se que a Autoridade Portuária e os demais players do mercado reconheçam, na agilidade digital, o instrumento mais eficaz para reduzir o Custo Brasil e, como consequência, elevar a produtividade do maior porto da América Latina.