Nacional
MPor projeta expansão do combustível SAF após operação na Bahia
Sucesso da operação pioneira em Salvador valida logística nacional e prepara o terreno para novos financiamentos
O Brasil conquistou um marco histórico para a aviação no ano passado. Foi dado início ao abastecimento regular de voos comerciais com o combustível sustentável de aviação, o SAF, no Aeroporto Internacional de Salvador, na capital baiana. A operação pioneira validou o país quanto à sua capacidade logística e técnica na transição energética no segmento aeroportuário. Agora, o Ministério de Portos e Aeroportos projeta expansão com o novo tipo de combustível.
“O SAF, novo combustível da aviação, dialoga com a agenda ambiental. Até 2027, a gente espera que pelo menos 1% da aviação brasileira seja com o combustível da aviação que é o combustível verde. A gente quer estimular cada vez mais esse combustível”, declarou Silvio Costa Filho, ministro de Portos e Aeroportos.
De acordo com a Petrobras, o SAF emite até 87% menos carbono, sem necessidade de grandes adaptações nas aeronaves ou nos sistemas de abastecimento. Neste ano de 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos quer transformar o projeto-piloto em uma realidade na malha aérea nacional.
Na Bahia, a iniciativa foi viabilizada por meio de uma parceria entre o governo estadual e uma empresa líder no segmento de distribuição de combustíveis. O SAF usado na operação pioneira em Salvador possui rastreabilidade total e certificação internacional. O combustível foi produzido a partir de matérias-primas renováveis, como óleos vegetais e gorduras animais, e processado em conjunto com querosene mineral.
O MPor quer garantir que a experiência de Salvador seja replicada em outros hubs estratégicos, impulsionada pelo novo cenário regulatório e de crédito criado pelo Governo Federal.
“O mundo já observa o Brasil como essa janela desse novo combustível verde, e a gente espera, quem sabe, até no futuro, exportar esse novo combustível. Os reflexos já começaram a acontecer”, afirmou Silvio Costa Filho.
Para a expansão, o Ministério de Portos e Aeroportos e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, contarão com recursos do Fundo Nacional da Aviação Civil (FNAC). O governo abriu linhas de crédito com taxas competitivas especificamente para projetos de desenvolvimento e produção de SAF. A expectativa é que novas refinarias e plantas de biorrefino entrem em operação, aumentando a oferta do combustível e reduzindo o custo final para as companhias aéreas.
Além do financiamento, o mercado conta com a Lei do Combustível do Futuro, que instituiu o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação, dando mais segurança jurídica ao setor. O programa estabelece que, a partir do ano que vem, as operadoras aéreas deverão reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 1% por meio do uso de SAF, com metas progressivas que chegarão a 10% em 2037.
“O voo abastecido com SAF na Bahia não foi apenas um evento isolado, foi um vislumbre do futuro que estamos construindo. Provamos que a logística funciona. Agora, com o financiamento do Fnac e as metas claras do ProBioQAV, damos às empresas a segurança necessária para investir. O Brasil tem a matéria-prima, a tecnologia e a regulação para ser um dos maiores produtores mundiais desse combustível verde”, avaliou o secretário nacional de Aviação Civil, Daniel Longo .
O SAF usado na operação pioneira em Salvador possui rastreabilidade total e certificação internacional (ISCC Corsia). Produzido a partir de matérias-primas renováveis, como óleos vegetais e gorduras animais, ele é processado em conjunto com o querosene mineral.