quarta-feira, 07 de outubro de 2026
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Opinião

Editorial

O novo momento da aviação civil brasileira

O encerramento do ano de 2025 consolida um momento de maturidade para a aviação civil brasileira, que transcendeu a simples recuperação pós-crise sanitária para atingir um patamar inédito de 130 milhões de passageiros. O balanço apresentado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) revela um setor que não apenas recuperou o fôlego, mas expandiu sua capilaridade, adicionando 30 milhões de usuários ao sistema nos últimos três anos. O crescimento de 13,7% no mercado internacional e de 20% em relação ao período pré-pandemia sinaliza que o Brasil retomou seu protagonismo nas rotas globais, consolidando o transporte aéreo como o principal indutor da integração econômica em um território de dimensões continentais.

A estratégia adotada em 2025 baseou-se em um binômio eficiente: a injeção de R$ 1,8 bilhão via Novo PAC para revitalizar 31 aeroportos regionais e a atração de R$ 2,6 bilhões em investimentos privados. O sucesso de programas como o AmpliAR e o Investe+Aeroportos demonstra que a segurança jurídica e a clareza regulatória são os instrumentos mais eficazes para descentralizar o acesso ao modal aéreo, levando infraestrutura moderna para a Amazônia Legal e o Nordeste.

É imperativo destacar o papel fundamental das novas linhas de financiamento para a sustentabilidade e a modernização do setor. O contrato de R$ 4 bilhões firmado entre o Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) e o BNDES retira do campo das intenções a transição energética da aviação nacional. Ao priorizar a aquisição de aeronaves nacionais e o desenvolvimento do combustível sustentável de aviação (SAF), o País antecipa-se às metas do Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV) e da Lei do Combustível do Futuro. O Brasil possui condições naturais e tecnológicas para liderar a produção global de SAF (sigla em inglês de combustível sustentável de aviação), e o suporte financeiro estruturado em 2025 é o alicerce para que as companhias aéreas atinjam as metas de descarbonização sem perder competitividade.

Paralelamente, deve-se enfatizar que a modernização da infraestrutura aeroportuária foi acompanhada por um avanço significativo na agenda social. A implantação de 22 salas multissensoriais para passageiros com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e, ainda, o fortalecimento de campanhas como “Assédio Não Decola” elevam o padrão de cidadania nos terminais brasileiros. A aviação civil não deve ser vista apenas sob a ótica da engenharia ou do fluxo de caixa, mas como um serviço essencial que deve acolher a diversidade e garantir a segurança e a dignidade de todos os usuários.

O recorde de movimentação é o subproduto de um ambiente que soube equilibrar o fomento ao mercado com o interesse público. Para 2026, o desafio reside em manter o ritmo de entregas nos aeroportos regionais e garantir que o SAF brasileiro ganhe escala comercial, consolidando a aviação do País como uma das mais modernas e sustentáveis do mundo.

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