Porto de Santos
JBS Terminais cita preocupação e avalia participar em leilão do Tecon 10
CEO Aristides Russi Júnior afirmou que empresa aguarda publicação final do edital para confirmar presença na licitação
A JBS Terminais, braço da multinacional que opera um terminal de contêineres no Porto de Itajaí, em Santa Catarina, aguarda a publicação do edital para saber se vai ou não participar da licitação do Tecon Santos 10, futuro empreendimento projetado para o Porto de Santos (SP). O CEO da empresa Aristides Russi Júnior destacou a importância do ativo portuário, e avaliou preocupações a serem analisadas para participação no certame.
Nesta semana, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) encaminhou à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) a modelagem final do arrendamento do futuro terminal. O projeto segue as restrições determinadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), para que o leilão, previsto para ocorrer até abril, seja realizado em duas fases.
Nesse modelo, operadores portuários que não possuem ativos no Porto de Santos, como é o caso da JBS Terminais, podem fazer propostas pelo ativo na primeira fase. Caso não haja interessados, o leilão segue para uma segunda etapa, de livre concorrência.
“De fato esperávamos que o edital já tivesse sido publicado para que a gente tivesse acesso à íntegra de todas as condições do leilão, para que pudéssemos fazer nossa modelagem e entender os desafios que nos traria. Mas, de fato, os papéis ainda não saíram. Já existem algumas indicações, mas a gente prefere ter acesso na íntegra do material para tomar uma decisão”, declarou o executivo.
Russi Jr pontuou algumas incertezas dentro da modelagem do projeto, que incluem modelo operacional e econômico do empreendimento.
“Estamos ativos, olhando o que está acontecendo, entendendo as oportunidades que aderem ao negócio da JBS. Parte da regra (do leilão) está colocada, o montante de investimentos se conhece superficialmente. Muitas dúvidas operacionais que existiam no edital passado ainda são dúvidas do mercado”, disse.
O executivo da JBS Terminais questionou a capacidade real do terminal na movimentação de contêineres como um dos pontos a serem questionados. “Todo mundo fala em 3,2 milhões de TEUs, mas existem sérias dúvidas de que é essa capacidade. Isso muda muito o modelo econômico do negócio”, analisou.
O CEO pregou cautela e lembrou os impactos da operação que o futuro terminal possa vir a causar para o município.
“Não existe uma ou duas questões. Sabemos que é um ativo relevante para o Brasil. Santos é a principal porta de entrada, onde se define onde armadores vão ser encaixados na rotação do Brasil. Precisamos ter clareza que o Tecon 10 causa no ecossistema de Santos como um todo. Capacidade é importante, mas tem alguns conjuntos de fatores que nos causa preocupação”, explicou.
O projeto
O Tecon Santos 10 promete se tornar o maior arrendamento portuário em volume de investimentos já previsto no Brasil. O megaterminal, projetado para aumentar em até 50% a movimentação de contêineres no Porto de Santos, busca atender à crescente demanda do setor.
O investimento estimado é de R$ 6,45 bilhões, com capacidade para movimentar até 3,5 milhões de TEU — unidade padrão equivalente a um contêiner de 20 pés — por ano.
O projeto prevê quatro berços de atracação, aptos a receber os maiores navios em operação no mundo, e deve gerar mais de 3 mil empregos diretos, desde a fase de obras até o início das atividades.