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Petróleo e Gás

Petrobras fecha acordo para fornecer bunker renovável à Odfjell

Atualizado em: 20 de January de 2026 às 13:16
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Contrato prevê entrega de até 12 mil toneladas do VLS B24 em 2026 e está ligado à operação do corredor verde marítimo entre Brasil e Europa

A Petrobras firmou um acordo para fornecer bunker marítimo com conteúdo renovável à armadora norueguesa Odfjell, uma das maiores operadoras globais no transporte de produtos químicos e granéis líquidos. O contrato envolve o fornecimento do VLS B24, combustível com 24% de biodiesel e 76% de óleo mineral, e marca a primeira operação desse tipo da companhia brasileira com um cliente internacional desse porte, segundo a estatal.

De acordo com a Petrobras, o VLS B24 é classificado como um VLSFO (Very Low Sulfur Fuel Oil) e foi desenvolvido para atender às exigências ambientais mais recentes do transporte marítimo internacional. O produto possui certificação International Sustainability and Carbon Certification – EU (ISCC EU), sistema que assegura critérios de rastreabilidade, sustentabilidade e redução de emissões de gases de efeito estufa ao longo da cadeia de produção do biocombustível, com foco específico no mercado europeu.

A empresa informa ainda que o combustível atende às exigências da FuelEU Maritime, regulamentação da União Europeia que estabelece metas progressivas de redução da intensidade de emissões de gases de efeito estufa nos combustíveis utilizados por navios que operam em portos do bloco. A norma busca estimular o uso de soluções renováveis e de menor impacto ambiental no transporte marítimo.

Segundo a Petrobras, o abastecimento será realizado por barcaças dedicadas a partir do Terminal de Rio Grande (TERIG), no Rio Grande do Sul, onde também ocorrerá a mistura do produto. O contrato prevê a entrega de até 12 mil toneladas do combustível ao longo de 2026.

Para a companhia, a operação amplia sua atuação no mercado internacional de combustíveis marítimos de baixo carbono. Em nota, o diretor de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Claudio Schlosser, afirmou que a comercialização do VLS B24 com uma empresa de atuação global demonstra o avanço da estatal nesse segmento e está alinhada ao Plano de Negócios 2026–2030. Segundo ele, a iniciativa gera valor comercial e viabiliza soluções associadas à descarbonização e a novas energias, dentro da estratégia corporativa da empresa.

A Odfjell, sediada na Noruega, opera uma frota com mais de 70 navios e atua em rotas pelas Américas, Europa e Ásia. A empresa transporta cerca de 600 tipos de líquidos, incluindo produtos químicos, ácidos, óleos comestíveis e derivados claros de petróleo, atendendo grandes companhias do setor energético e empresas de menor porte. A armadora mantém escritórios em diversos pontos estratégicos, entre eles São Paulo, que dá suporte às operações na América do Sul.

Corredor verde

O fornecimento do VLS B24 pela Petrobras está diretamente ligado à operação do corredor verde marítimo entre o Brasil e a Europa, iniciado pela Odfjell em dezembro. Segundo informações divulgadas pela armadora, o corredor liga o porto de Rio Grande aos portos de Antuérpia-Bruges, na Bélgica, e Roterdã, na Holanda. A rota cobre cerca de 5 mil milhas náuticas, o equivalente a aproximadamente 9.200 quilômetros, e é percorrida por navios-tanque químicos da companhia utilizando o biocombustível B24.

De acordo com a Odfjell, o corredor verde deve operar entre 12 e 15 viagens por ano, com duração média de cerca de 40 dias cada. A empresa afirma que o uso do biocombustível resulta em menores emissões de carbono em comparação com o combustível marítimo convencional.

Em declaração divulgada anteriormente, o CEO da Odfjell, Harald Fotland, afirmou que a criação do corredor verde não se trata de uma iniciativa pontual, mas de um compromisso de longo prazo da companhia com a descarbonização. Segundo o executivo, o combustível de menor impacto ambiental passou a integrar a estratégia da empresa, que busca envolver toda a cadeia de valor na redução das emissões associadas às suas operações.

A Odfjell também informou que o projeto do corredor verde foi financiado integralmente com recursos próprios, sem o uso de subsídios governamentais. De acordo com a empresa, a decisão de absorver os custos adicionais teve como objetivo viabilizar a implementação operacional imediata da rota, independentemente de incentivos financeiros externos.

No Brasil, o B24 certificado é atualmente o principal biocombustível marítimo disponível em escala comercial. Trata-se de uma mistura composta por 24% de biodiesel renovável, derivado de resíduos, e 76% de VLSFO. Segundo a Odfjell, a introdução desse combustível representa mais um passo em um processo iniciado há décadas para reduzir suas emissões. A empresa afirma já ter reduzido sua intensidade de carbono em mais de 54% em comparação com os níveis de 2008, a partir de medidas técnicas e operacionais.

Metas e diretrizes

A iniciativa do corredor verde e o fornecimento do combustível pela Petrobras estão alinhados, segundo as empresas, às metas da Organização Marítima Internacional (IMO) para 2030 e às diretrizes do pacote climático europeu conhecido como “Fit for 55”. As ações também se inserem no contexto do Memorando de Entendimento firmado entre Brasil e Noruega para o estabelecimento de um corredor marítimo transatlântico verde, assinado em fevereiro de 2025.

De acordo com a Petrobras, o relacionamento com a Odfjell já vinha sendo construído ao longo do tempo e ganhou novo impulso com a aproximação entre os governos brasileiro e norueguês em torno de soluções sustentáveis para o setor de energia e transporte marítimo. A estatal avalia que a operação com a armadora norueguesa pode contribuir para ampliar a oferta de combustíveis de menor impacto ambiental e consolidar o Terminal de Rio Grande como um polo relevante nesse segmento.

Já a Odfjell afirma que espera que a iniciativa estimule outras empresas da indústria marítima a adotarem soluções semelhantes. Segundo a companhia, o desenvolvimento do corredor verde depende da colaboração entre armadores, produtores de combustível, portos, reguladores e clientes, em um esforço conjunto para acelerar a transição do transporte marítimo para um modelo de menor emissão de carbono.

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TAGS Bunker petrobras renovável
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