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Petróleo lidera exportações pelo 2º ano e IBP projeta expansão até 2029

21 de January de 2026 às 13:02
Aline Silva Enviar e-mail para o Autor

Setor de óleo e gás consolida protagonismo na balança comercial e reforça papel do Brasil na segurança energética global

Pelo segundo ano consecutivo, o petróleo bruto foi o principal produto da pauta de exportações brasileiras. Dados da balança comercial de 2025 confirmam que o insumo superou a soja e outros produtos tradicionais, somando US$ 44,6 bilhões em vendas externas. Embora o valor represente leve retração em relação ao recorde histórico de 2024, quando as exportações alcançaram US$ 44,8 bilhões, o resultado consolida a trajetória de protagonismo da indústria de óleo e gás na economia nacional.

Na avaliação do professor de Economia do Ibmec Brasília, Renan Silva, o desempenho confirma a consolidação do setor como principal motor das exportações brasileiras. Segundo ele, “as explorações de petróleo no Brasil, monitoradas pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), consolidam-se como o principal produto da pauta exportadora brasileira nos exercícios de 2024 e 2025, desbancando inclusive produtos tradicionais como a soja”. Para o economista, o resultado evidencia a resiliência da indústria, sustentada sobretudo pela produção do pré-sal e pela eficiência operacional acumulada ao longo dos anos.

Apesar da leve queda no valor exportado entre 2024 e 2025, Renan Silva ressalta que o protagonismo do petróleo permanece. “O Brasil bateu recorde de exportação em 2024, com vendas em torno de US$ 44,8 bilhões, e em 2025 atingiu cerca de US$ 44,6 bilhões. Apesar dessa leve retração, influenciada pelos preços internacionais, o setor mantém o protagonismo”, afirmou. De acordo com o professor, o crescimento do volume exportado — estimado em cerca de 10% — indica uma expansão produtiva consistente, ainda que o ambiente de preços tenha sido menos favorável.

Mesmo em um cenário internacional marcado por volatilidade e tensões geopolíticas, o petróleo manteve posição de destaque e contribuiu de forma decisiva para o saldo positivo da balança comercial brasileira. Para Renan Silva, parte desse movimento está associada à busca global por maior segurança energética. “Há fatores que contribuíram para esse resultado, como a necessidade de elevar a segurança energética em nível global”, observou.

De acordo com informações do Governo Federal, o setor foi determinante para o desempenho externo do país. Essa leitura está alinhada ao Outlook IBP 2025–2029, estudo do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, que classifica o momento atual como um ponto de inflexão para a indústria nacional de óleo e gás. Em 2024, o segmento já havia registrado um superávit líquido de US$ 36,3 bilhões e arrecadado mais de R$ 98 bilhões em royalties e participações especiais.

O protagonismo brasileiro ganha ainda mais relevância diante do agravamento de conflitos e tensões internacionais. Renan Silva destaca que a guerra entre Rússia e Ucrânia, somada a novos focos de instabilidade, ampliou as incertezas sobre a oferta e a logística de commodities energéticas. “É preciso considerar o conflito entre Rússia e Ucrânia, que já é de longa data e gera muita incerteza em relação à oferta da commodity e à logística”, afirmou. Segundo ele, o cenário é agravado pelo aumento das tensões entre Estados Unidos e Venezuela e entre Estados Unidos e Irã, o que tem levado países consumidores a buscar a diversificação de fornecedores.

Nesse contexto, o petróleo brasileiro tem ganhado espaço por reunir estabilidade institucional e capacidade de fornecimento. Como observa o professor, os mercados internacionais buscam alternativas previsíveis, e o Brasil “tem se demonstrado competente no fornecimento da commodity”. Como oitavo maior produtor mundial de petróleo, o país se consolida como ator relevante na segurança energética global, com destaque para a produção do pré-sal, reconhecida por apresentar menor intensidade de emissões de carbono em comparação à média internacional.

2025–2029

As projeções do IBP indicam que o ciclo de expansão do setor está apenas começando. A expectativa é que a produção brasileira atinja 4,2 milhões de barris por dia em 2028, com pico de investimentos no segmento de exploração e produção já em 2026, estimado em US$ 21,3 bilhões. O setor deve sustentar cerca de 483 mil postos de trabalho e, até 2029, a arrecadação governamental total pode alcançar US$ 42,3 bilhões por ano, reforçando o impacto fiscal e social da indústria de óleo e gás.

Transição energética

Além do peso econômico, o IBP destaca que o setor de óleo e gás exerce papel central na transição energética brasileira. O país é o segundo maior produtor mundial de biocombustíveis e avança em tecnologias como captura e armazenamento de carbono, além do desenvolvimento do potencial de eólicas offshore. Segundo a avaliação do instituto, a competitividade da própria indústria de óleo e gás viabiliza os investimentos em descarbonização, permitindo que o Brasil avance na agenda energética sem abrir mão da segurança, da previsibilidade e da geração de receitas.

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TAGS expansão exportação petróleo
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