Transportes
FedEx inicia transição para encerrar transporte doméstico no Brasil
Empresa mantém coletas internas até fevereiro e passa a concentrar atuação no transporte internacional e em serviços de supply chain
A FedEx deu início ao período de transição para encerrar o transporte doméstico no Brasil, conforme havia sido comunicado no último dia 7. Desde então, a empresa passou a executar o cronograma de descontinuação gradual das operações nacionais, mantendo as coletas internas até o próximo dia 6 de fevereiro e assegurando a entrega de todas as encomendas já contratadas dentro dos prazos acordados com os clientes.
Durante esse intervalo, estimado em cerca de 30 dias, a companhia informou que seguirá prestando suporte operacional e atendimento aos clientes, ao mesmo tempo em que avança no processo de reestruturação, que inclui o desligamento de equipes e a reorganização de ativos logísticos vinculados ao transporte doméstico. A desmobilização das estruturas operacionais deve se estender ao longo dos próximos meses, com previsão de avanço até junho.
Segundo a empresa, os clientes que utilizavam os serviços domésticos estão sendo orientados individualmente durante o período de transição, com informações sobre prazos, entregas pendentes e encerramento de contratos específicos. A FedEx afirma que busca reduzir impactos operacionais e evitar interrupções no fluxo de mercadorias, especialmente para embarcadores que utilizam soluções integradas de transporte nacional e internacional.
Com a mudança, a FedEx concentrará sua atuação no país exclusivamente nas operações de transporte internacional — tanto aéreo quanto rodoviário — e nos serviços de supply chain. Esse portfólio inclui atividades de gestão logística e soluções associadas a meios de pagamento, como POS (máquinas de cartão). Segundo a empresa, essas frentes seguem sendo consideradas essenciais para a conexão de clientes brasileiros com mercados globais.
A atuação internacional da FedEx no Brasil envolve principalmente o transporte expresso de cargas e documentos para o exterior, além de soluções voltadas a cadeias globais de suprimentos, como armazenagem, gestão de estoques e serviços logísticos customizados. A companhia avalia que esses segmentos apresentam maior aderência ao seu modelo global de negócios e maior previsibilidade operacional em comparação às entregas domésticas porta a porta.
Em nota enviada a clientes e parceiros, a companhia afirmou que a decisão integra um realinhamento estratégico de sua atuação no Brasil e faz parte de esforços para fortalecer sua rede global diante das dinâmicas do mercado. A FedEx também reiterou o compromisso com o cumprimento das obrigações contratuais assumidas no país e com a prestação de serviços considerados confiáveis durante todo o período de transição.
A saída do segmento de entregas domésticas ocorre após quase quatro décadas de atuação da FedEx no Brasil. Ao longo desse período, a empresa construiu presença relevante no transporte expresso e atendeu principalmente clientes corporativos dos setores industrial, farmacêutico, tecnológico e de comércio exterior. O encerramento dessa frente específica não atinge as operações internacionais nem as atividades logísticas mais complexas, que permanecerão ativas no território nacional.
Mudanças estruturais
O movimento da empresa ocorre em um contexto de mudanças estruturais no setor de logística e entregas. O mercado de postagens e remessas passou por transformações relevantes nos últimos anos, com redução da demanda por envio de cartas e documentos e maior pressão sobre as operações de encomendas, impulsionada pelo comércio eletrônico e pela exigência de prazos cada vez mais curtos de entrega.
No Brasil, essas transformações se dão em um ambiente marcado por custos operacionais elevados e desafios relacionados à infraestrutura logística. O setor convive com gargalos em rodovias e aeroportos, além de custos associados à mão de obra e a exigências burocráticas, fatores que impactam diretamente a viabilidade econômica das operações de transporte porta a porta, especialmente em um país de grande extensão territorial.
Correios
Esse cenário também se reflete no desempenho de outros operadores do setor. Os Correios, maior operador postal da América Latina, acumulam 13 trimestres consecutivos de resultados negativos. Entre janeiro e setembro de 2025, a estatal registrou prejuízo de R$ 6 bilhões. A empresa anunciou um plano de reestruturação estimado em R$ 20 bilhões, dos quais R$ 12 bilhões já foram contratados junto a instituições financeiras, restando ainda R$ 8 bilhões a serem captados.
Segundo informações divulgadas pela própria estatal, o plano prevê medidas de redução de custos, como ajustes no quadro de pessoal, venda de imóveis, fechamento de agências e investimentos em automação. Os Correios atribuem os resultados negativos à transformação do setor, à queda de receitas e ao aumento dos custos operacionais, afirmando que a reestruturação busca recuperar a competitividade no longo prazo.
No caso da FedEx, a empresa afirmou que seguirá apoiando companhias que operam no Brasil por meio de soluções logísticas e de supply chain consideradas seguras e eficientes, agora com foco no transporte internacional e em serviços integrados, enquanto conclui a retirada gradual das atividades de transporte doméstico no país.