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Região Nordeste

Transnordestina avança no Ceará e concentra frentes decisivas da fase 1

Atualizado em: 2 de February de 2026 às 11:49
Da Redação Enviar e-mail para o Autor

Vistoria federal nos lotes 9 e 10 ocorre em trecho que recebeu R$ 2 bilhões do Novo PAC e integra a ligação entre o sul do Piauí e o Porto do Pecém

As obras da Ferrovia Transnordestina avançam no Ceará e concentram, neste momento, parte decisiva do cronograma da fase 1 do empreendimento, que prevê a ligação ferroviária entre o interior do Piauí e o Porto do Pecém. Nesta sexta-feira (30), o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, realizou vistoria técnica nos lotes 9 e 10 da ferrovia, considerados estratégicos para a conclusão do trecho cearense dessa etapa do projeto.

Os dois lotes vistoriados somam 97 quilômetros de extensão e atravessam os municípios de Baturité, Aracoiaba, Redenção, Acarape, Guaiúba, Palmácia, Maranguape e Caucaia. Em dezembro, esse segmento recebeu aporte de R$ 2 bilhões, liberados por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), o que permitiu a contratação e a execução integral das obras da Transnordestina no Ceará.

A fase 1 do projeto corresponde ao trecho que liga Paes Landim, no sul do Piauí, ao Porto do Pecém, na Região Metropolitana de Fortaleza. Ao todo, essa etapa envolve 1.053 quilômetros de extensão, dos quais 727 quilômetros da linha principal já foram concluídos. Outros 326 quilômetros permanecem em execução. O investimento previsto para essa fase soma R$ 11,3 bilhões, dentro de um orçamento global estimado em R$ 14,9 bilhões para todo o empreendimento.

Segundo dados oficiais do projeto, 80% da fase 1 já está executada. A maior parte das frentes de obra atualmente se concentra no território cearense, onde estão localizados 608 quilômetros do traçado total da ferrovia. No Estado, 28 municípios são diretamente atravessados pela linha férrea, enquanto outros são impactados de forma indireta pelas estruturas logísticas associadas ao projeto.

Além dos lotes 9 e 10, a vistoria incluiu o lote 5, que abrange os municípios de Piquet Carneiro, Senador Pompeu e Quixeramobim. Esse trecho se encontra na fase de execução da superestrutura, etapa que envolve a implantação de trilhos, dormentes e demais componentes ferroviários. Atualmente, todos os lotes da Transnordestina em território cearense estão em execução simultânea.

O traçado da ferrovia no Ceará está dividido em oito segmentos: Pecém–Caucaia (MVP 11), Caucaia–Aracoiaba (MVP 10), Aracoiaba–Baturité (MVP 9), Baturité–Itapiúna (MVP 8), Itapiúna–Quixadá (MVP 7), Quixadá–Quixeramobim (MVP 6), Quixeramobim–Piquet Carneiro (MVP 5) e Piquet Carneiro–Acopiara (MVP 4). O trecho entre Acopiara, Missão Velha e Salgueiro já foi totalmente executado.

Com 1.206 quilômetros de extensão na linha principal e outros 73 quilômetros em ramais secundários, a Ferrovia Transnordestina atravessará, ao final das obras, 53 municípios nos estados do Piauí, Ceará e Pernambuco. O projeto foi concebido para estabelecer um corredor logístico ferroviário entre regiões produtoras de grãos e minérios do interior nordestino e o litoral, com acesso direto ao Porto do Pecém, um dos principais complexos portuários do Nordeste.

No planejamento operacional da ferrovia, estão previstos terminais logísticos ao longo do traçado, com o objetivo de permitir a consolidação, a armazenagem e a transferência de cargas. No Ceará, estão programados três terminais de cargas, localizados nos municípios de Missão Velha, Iguatu e Quixeramobim. Este último deverá abrigar o Porto Seco José Dias de Macêdo, estrutura voltada à armazenagem, movimentação e despacho aduaneiro de mercadorias no interior do estado.

Paralelamente ao avanço das obras civis, a Transnordestina tem passado por testes operacionais como parte do processo de preparação para a futura operação comercial. Neste mês, a concessionária Transnordestina Logística S.A. (TLSA) realizou o segundo teste de transporte de cargas pela linha férrea. A operação envolveu o deslocamento de 946,12 toneladas de sorgo do Terminal Intermodal do Piauí (TIPI) até o Terminal Logístico de Iguatu (TLI), no Ceará.

A composição percorreu o trajeto em 16 horas e 34 minutos. A etapa de testes teve início em dezembro de 2025, com o transporte de produtos agrícolas. De acordo com informações da concessionária, as próximas viagens devem incluir outros tipos de mercadorias, com o objetivo de avaliar o desempenho da ferrovia em diferentes condições operacionais.

Escoamento

O projeto da Transnordestina é voltado prioritariamente ao transporte de cargas, com foco no escoamento da produção agrícola e mineral da região conhecida como Matopiba, que abrange áreas do Maranhão, Piauí, Bahia e Tocantins. A expectativa é que a ferrovia funcione como um eixo estruturante de integração logística entre o interior do Nordeste e os mercados nacional e internacional, por meio do Porto do Pecém.

Além dos impactos logísticos, as obras da ferrovia também têm reflexos sobre a geração de empregos ao longo do traçado. No trecho em fase inicial de execução em Aracoiaba, mais de 140 trabalhadores estão atualmente em atividade. A estimativa do projeto é que cada lote da ferrovia empregue, em média, cerca de mil trabalhadores ao longo das diferentes fases de construção, além de postos indiretos associados a serviços de apoio, fornecimento de insumos e equipamentos.

A previsão oficial é que a fase 1 da Ferrovia Transnordestina seja concluída no primeiro semestre de 2027. A partir da entrada em operação desse trecho, o projeto passará a integrar o sistema ferroviário nacional como um novo corredor de transporte de cargas no Nordeste, conectando áreas produtoras do interior ao litoral cearense.

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