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Aviação

Azul confirma captação de US$ 1,3 bi para financiar saída do Chapter 11

2 de February de 2026 às 12:52
Da Redação Enviar e-mail para o Autor Estadão Conteúdo

Emissão de títulos com vencimento em 2031 teve demanda de US$ 9,1 bilhões e taxa de 9,875%, segundo a companhia

A Azul confirmou na sexta-feira (30) a captação de US$ 1,375 bilhão por meio da emissão de títulos de dívida seniores com garantia prioritária, operação destinada ao financiamento de saída (exit financing) do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, o Chapter 11. Os papéis têm vencimento em 2031 e remuneração de 9,875%, conforme comunicado divulgado pela companhia ao mercado.

Segundo a empresa, a demanda pela oferta alcançou cerca de US$ 9,1 bilhões, aproximadamente 7,5 vezes o volume inicialmente ofertado. A expectativa é de que a emissão seja concluída no próximo dia 6, sujeita às condições usuais de fechamento. Os recursos captados serão utilizados para quitar o saldo devedor do financiamento do tipo debtor-in-possession (DIP), contratado durante o processo de recuperação judicial. Eventuais recursos remanescentes deverão apoiar a implementação do plano de reestruturação da companhia, voltado à reorganização da estrutura de capital e ao reforço da liquidez.

De acordo com a Azul, a taxa final ficou abaixo das condições inicialmente demandadas por parte dos investidores, que variavam entre 11% e 12%, e mais próxima do patamar pretendido pela companhia, em torno de 10%. A empresa atribuiu o resultado à forte procura pela operação.

A captação é considerada uma das etapas finais do processo de recuperação judicial iniciado em maio do ano passado. Desde o início da reestruturação, a companhia vinha indicando a expectativa de concluir o Chapter 11 no início de 2026. Caso o cronograma seja mantido, o processo será o mais curto entre as companhias aéreas brasileiras que recorreram ao mecanismo nos Estados Unidos. Em comunicado, a Azul afirmou que segue implementando as etapas previstas no plano aprovado, em linha com o cronograma estabelecido.

A companhia já havia informado ao mercado que pretendia levantar cerca de US$ 1,2 bilhão com a oferta de títulos de dívida, como parte do financiamento da saída do Chapter 11. Na ocasião, a empresa ressaltou que não havia garantia de consumação da operação, embora fontes ouvidas pelo portal Money Times tenham indicado a existência de garantias de credores para assegurar a captação mínima necessária à conclusão do processo, caso a demanda de mercado não fosse suficiente.

Pessoas próximas à companhia relataram que o plano de reestruturação prevê a possibilidade de determinados credores fornecerem capital adicional para viabilizar a saída da recuperação judicial. Com isso, a expectativa, à época, era de que a Azul conseguisse cumprir o cronograma que previa a conclusão do Chapter 11 até o fim de fevereiro.

A percepção relatada por fontes era de que a companhia não demonstrava preocupação quanto à colocação dos títulos, diante de um ambiente considerado mais favorável para captações, marcado por valorização do real frente ao dólar, desempenho positivo do mercado acionário brasileiro e operações recentes de financiamento realizadas por empresas do setor aéreo, como a Avianca. A Azul também vinha destacando que o processo de recuperação judicial era planejado como uma passagem rápida, com apoio de parceiros estratégicos, incluindo United Airlines e American Airlines, e com foco na redução da alavancagem financeira.

Diluição de acionistas

Além da emissão de dívida, o plano de reestruturação da Azul inclui uma série de operações de capitalização que resultaram em diluição relevante dos acionistas. No fim de 2025, a companhia realizou um aumento de capital de R$ 7,44 bilhões, por meio da emissão de 723,86 bilhões de ações ordinárias e 723,86 bilhões de ações preferenciais. Em 21 de janeiro, a empresa anunciou uma nova oferta pública para captar até US$ 950 milhões.

Em fato relevante divulgado na ocasião, a Azul informou que as ações a serem emitidas no âmbito dessa oferta seriam precificadas com desconto de 30% em relação ao valor da companhia definido no plano do Chapter 11, o que deverá resultar em diluição adicional aproximada de 80% da base acionária então existente.

Na semana anterior à confirmação da emissão de dívida, a companhia também informou que determinados credores e partes interessadas concordaram em realizar um aporte adicional de US$ 100 milhões para apoiar a saída antecipada da recuperação judicial. Segundo a Azul, esse investimento incremental, somado à garantia firme de subscrição de US$ 650 milhões no contexto da oferta pública e aos US$ 200 milhões a serem investidos por investidores estratégicos, eleva o montante total de investimentos previstos de US$ 850 milhões para US$ 950 milhões.

A estimativa divulgada pela companhia é de que a Azul deixe o processo de recuperação judicial com uma alavancagem líquida pro forma de aproximadamente 2,5 vezes. As projeções financeiras utilizadas no plano consideram parâmetros macroeconômicos baseados no Boletim Focus, incluindo taxa de câmbio próxima de R$ 5,50 por dólar. Na quarta-feira (28), no entanto, o dólar operava abaixo de R$ 5,20, no menor nível em quase dois anos.

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