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Governo acelera agenda das hidrovias e amplia projetos pelo país

Atualizado em: 13 de February de 2026 às 15:36
Aline Silva Enviar e-mail para o Autor

Com projetos no Madeira, Paraguai, Tapajós e retomada do São Francisco, Ministério aposta em parcerias privadas, mas reforça que rios não serão privatizados

O governo federal quer transformar as hidrovias em um dos principais eixos da política logística nacional. Com apenas 5% das cargas brasileiras transportadas por rios, o Ministério de Portos e Aeroportos trabalha para acelerar estudos, consultas públicas e concessões em diferentes regiões do país, enquanto busca ampliar o diálogo com comunidades impactadas.

Entre as frentes em andamento estão a reativação da hidrovia do Rio São Francisco, já autorizada para estudos técnicos, o avanço da concessão da hidrovia do Rio Paraguai (trecho sul), a estruturação do projeto do Rio Madeira e a finalização de estudos no Tapajós, Tocantins e na chamada “Hidrovia Verde”, entre Manaus e a foz do Amazonas.

No Madeira, que transportou 12,1 milhões de toneladas em 2025, o governo já realizou tomada de subsídios e agora internaliza contribuições recebidas para avançar rumo à consulta pública, análise do TCU e eventual leilão. Já o trecho sul do Paraguai está mais adiantado e envolve uma governança tripartite entre Brasil, Bolívia e Paraguai.

O secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, afirma que a estratégia passa por diálogo direto com quem depende do modal.

“Nossa estratégia aqui é se aproximar cada vez mais das comunidades, dos atores na ponta que ou dependem ou nos demandam sobre uma perspectiva de crescimento das hidrovias brasileiras.”

Ele reconhece que há necessidade de mudança de visão sobre o modal no país.

“A gente precisa mudar o nosso mindset, nossa forma de enxergar. A gente tem que comunicar sobre as vantagens econômicas, ambientais e sociais das hidrovias brasileiras.”

Segundo o secretário, o custo de implantação é significativamente inferior ao de outros modais.

“Uma ferrovia como a Ferrogrão está estimada em mais de 25 bilhões de reais. As primeiras concessões hidroviárias que a gente está desenhando, durante 20 anos, não chegam a 500 milhões de reais.”

Otto também defende o modelo de parceria com o setor privado, destacando o contexto de restrição fiscal.

“O Estado brasileiro vive um momento de dificuldades orçamentárias. Parcerias privadas, quando são possíveis, são muito meritórias. Não só pelo recurso em si, mas pela agilidade e pelos incentivos naturais de eficiência.”

Ao mesmo tempo, reforça que o modelo não representa privatização dos rios.

“Não se trata de privatização do rio. O que está sendo concedido é a gestão, a manutenção, a sinalização, a dragagem. O rio continua sendo público.”

Os projetos, no entanto, enfrentam questionamentos. O Tribunal de Contas da União apontou falhas em consultas a comunidades no caso do Tapajós, e organizações indígenas têm cobrado maior transparência e participação nos processos.

O secretário afirma que o avanço depende justamente desse diálogo.

“A gente quer avançar com calma, com muito diálogo com todos os atores interessados, com comunidades tradicionais, povos indígenas, entre outros.”

A meta do governo é realizar ainda este ano a primeira concessão hidroviária do país, começando pelo trecho sul da hidrovia do Paraguai. A aposta é que, com integração entre portos, hidrovias, ferrovias e cabotagem, o Brasil consiga reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade no comércio nacional e internacional.

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