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Colunista do BE News assina capítulo em obra da Universidade de Oxford
Advogada Roberta Lopes foi convidada por ex-professor de Harvard para escrever sobre direitos humanos no espaço cibernético
Em tempos de inteligência artificial, redes sociais e transformação digital acelerada, uma questão se torna cada vez mais urgente: como proteger os direitos humanos no ambiente virtual? Afinal, o bullying ganha proporções gigantescas quando sai do pátio da escola e vai parar nas telas de milhares de pessoas, dados pessoais circulam de forma nem sempre transparente, e a linha entre inovação tecnológica e violação de privacidade pode ser tênue. É justamente sobre essa intersecção entre direitos humanos e cibersegurança que a colunista do BE News, Roberta Lopes da Cruz Antonio, foi convidada a escrever para uma das publicações mais prestigiadas do mundo acadêmico.
A advogada e professora universitária foi selecionada para contribuir com um capítulo do livro “The Oxford Handbook of Human Security”, publicado pela Oxford University Press (OUP), editora vinculada à Universidade de Oxford. O capítulo, que aborda a intersecção entre direitos humanos e cibersegurança, será lançado em e-book em julho e na versão impressa em setembro.
A obra reúne 40 capítulos com autores de diversas partes do mundo, incluindo Europa, China, Estados Unidos, Canadá e Inglaterra.
O convite partiu de um ex-professor de Roberta da Universidade de Harvard, um dos três editores da obra. “Quando o projeto surgiu, mais ou menos em outubro de 2024, ele entrou em contato comigo e perguntou se eu teria interesse em contribuir com o capítulo sobre direitos humanos no espaço cibernético, que, claro, me deixou super feliz e eu prontamente aceitei”, conta.
Sobre o significado do convite, Roberta demonstra gratidão: “Vindo de um ex-professor meu da Universidade de Harvard, com respeito e a notoriedade que esse professor tem no cenário acadêmico e profissional, eu fiquei muito feliz e senti isso como realmente o reconhecimento de uma postura minha que eu sempre procurei ter em sala de aula e na minha profissão. De dedicação, esforço, estudo e pesquisa”, explica a colunista.
Para o Brasil, a professora vê a contribuição como uma oportunidade de ampliar a discussão sobre direitos humanos no ambiente digital.
“Espero que essa obra possa contribuir para que a gente tenha mais atenção para essa temática que é nova. Quando a gente fala em direitos humanos numa perspectiva de um cenário que surgiu há poucas décadas, que é o espaço cibernético, que é a internet, a gente pode dizer que isso é algo novo e que a gente precisa ter um olhar atento para isso, porque cada vez mais as nossas relações se desenvolvem no meio ambiente cibernético”, detalha.
DIREITOS HUMANOS
O capítulo de Roberta explora os chamados direitos humanos digitais. Ela ilustra com o exemplo do bullying.
“O bullying no meio ambiente físico, ele tem uma repercussão. Quando esse bullying acontece no meio ambiente virtual, a repercussão é muito maior, porque você não tem controle de quem tirou um print daquilo, onde vai parar”, enfatiza.
A intersecção com a cibersegurança, segundo Roberta, está em desenvolver tecnologia de forma responsável. Para ela, o Marco Regulatório da Inteligência Artificial no Brasil, que é um projeto de lei que está em andamento, fala justamente que o uso da inteligência artificial no país tem que ser transparente, ético e compatível com os direitos humanos.
“Então, a forma como essa tecnologia deve se desenvolver no Brasil deve ser uma forma que não viole direitos humanos. Isso é uma forma de cibersegurança? Sim”, opina a colunista que também aborda o tema em sua coluna quinzenal no BE News.
MENSAGEM
Roberta deixa duas reflexões principais para os leitores do BE News. A primeira é sobre a necessidade de reconhecer o espaço cibernético como um domínio próprio.
“A gente tem que enxergar o meio ambiente cibernético como um espaço com peculiaridades, que precisa de regulamentação, olhar e de cuidado específico. Querer apenas levar uma interpretação por analogia das regras que a gente tem para conviver no meio ambiente físico para o ambiente digital não é a solução dos problemas que a gente tem no digital”, explica a advogada.
A segunda mensagem enfatiza a importância da educação digital. Segundo ela, a sociedade só melhora como comunidade quando há educação, acesso a ferramentas e uma cultura voltada à segurança, proteção, boas práticas e bons costumes.