Mineração
Prejuízo bilionário no fim do ano reduz lucro da Vale em 2025
Perdas no 4º trimestre somam US$ 3,8 bilhões com impairment no Canadá; empresa amplia produção e mantém geração de caixa
A Vale encerrou 2025 com avanço operacional e crescimento de indicadores ajustados, mas reportou prejuízo bilionário no quarto trimestre, impactado por baixas contábeis e revisões de premissas de mercado. A mineradora informou que registrou prejuízo líquido atribuível aos acionistas de US$ 3,844 bilhões (R$ 21,0 bilhões) entre outubro e dezembro, ampliando as perdas de US$ 694 milhões (R$ 4,7 bilhões) apuradas no mesmo período de 2024. No acumulado do ano, o lucro líquido atribuível somou US$ 2,352 bilhões (R$ 13,8 bilhões), queda de 62% frente a 2024, quando havia alcançado US$ 6,2 bilhões (R$ 31,6 bilhões).
Considerando o lucro líquido total, que inclui participações não controladoras, o resultado foi negativo em US$ 4,243 bilhões no quarto trimestre, ante perdas de US$ 872 milhões um ano antes. Em 2025, o lucro líquido totalizou US$ 1,983 bilhão, recuo de 67% na comparação anual.
Segundo a companhia, o desempenho no trimestre foi influenciado por impairment de US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel da Vale Base Metals no Canadá, após revisão para baixo das projeções de preços de longo prazo do metal, além de uma redução de US$ 2,8 bilhões relacionada à baixa de imposto diferido em subsidiárias. Também houve aumento de US$ 449 milhões na provisão da Samarco, refletindo atualizações ligadas a ação no Reino Unido.
Em contrapartida, o desempenho operacional manteve trajetória de crescimento. A produção de minério de ferro avançou 6% no quarto trimestre e, no acumulado do ano, atingiu 336 milhões de toneladas, patamar que recolocou a empresa como maior produtora global da commodity. A produção de cobre e níquel também cresceu, com destaque para expansão de dois dígitos no níquel ao longo do ano.
A receita líquida de vendas alcançou US$ 11,060 bilhões no quarto trimestre, alta de 9% na comparação anual e de 6% frente ao terceiro trimestre. Em 2025, a receita somou US$ 38,403 bilhões, crescimento de 1% em relação ao ano anterior.
O Ebitda ajustado totalizou US$ 4,588 bilhões entre outubro e dezembro, avanço de 21% na base anual. No acumulado de 2025, o indicador atingiu US$ 15,458 bilhões, alta de 4%. Já o Ebitda proforma, que exclui itens não recorrentes, somou US$ 4,834 bilhões no trimestre e US$ 15,9 bilhões no ano, crescimento de 17% e 3%, respectivamente.
O fluxo de caixa livre foi de US$ 1,688 bilhão no quarto trimestre, revertendo resultado negativo de US$ 100 milhões no 4T24.
No campo dos preços, o valor de referência do minério de ferro ficou em US$ 106,0 por tonelada no quarto trimestre, 3% acima do registrado um ano antes e 4% superior ao trimestre anterior. Na média de 2025, o preço de referência foi de US$ 102,4 por tonelada, queda de 6% ante 2024. O preço médio realizado dos finos de minério atingiu US$ 95,4 por tonelada no quarto trimestre, alta de 3% na comparação anual, enquanto a média anual foi de US$ 91,6, recuo de 4%.
Nos custos, o all-in do minério de ferro ficou em US$ 54,3 por tonelada no quarto trimestre, aumento de 10% em relação ao mesmo período de 2024. Em 2025, o custo médio foi de US$ 54,2 por tonelada, redução de 3%. O custo caixa C1, da mina ao porto e excluindo compras de terceiros, atingiu US$ 21,3 por tonelada no trimestre, alta de 18,8% na base anual. No acumulado do ano, o C1 também foi de US$ 21,3 por tonelada, 2% inferior ao de 2024.
Na divisão de metais básicos, o custo all-in do cobre foi negativo em aproximadamente US$ 900 por tonelada no quarto trimestre, com queda relevante em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o níquel registrou custo de cerca de US$ 9.000 por tonelada, redução anual de 35%. No acumulado de 2025, os custos ficaram abaixo das projeções divulgadas pela companhia.
Dívida líquida
A dívida líquida encerrou dezembro em US$ 11,236 bilhões, alta de 7% em relação ao quarto trimestre de 2024 e queda de 10% frente ao terceiro trimestre. A dívida líquida expandida, que inclui provisões relacionadas a Brumadinho e Samarco, atingiu US$ 15,579 bilhões, 5% abaixo do mesmo período do ano anterior e 6% inferior ao trimestre imediatamente anterior.
Os investimentos somaram US$ 2,030 bilhões no quarto trimestre, avanço de 15% na comparação anual e de 62% frente ao trimestre anterior. Em 2025, os aportes totalizaram US$ 5,507 bilhões, 8% abaixo de 2024. Desse total, US$ 287 milhões foram destinados a projetos de crescimento entre outubro e dezembro, e US$ 1,136 bilhão no acumulado do ano, redução de 22% na base anual.
Mesmo com o prejuízo no trimestre, a companhia manteve a política de remuneração aos acionistas. Em janeiro, pagou US$ 1 bilhão a título de remuneração extraordinária e anunciou a distribuição adicional de US$ 1,8 bilhão em dividendos e juros sobre capital próprio a serem pagos em março.