Energia
Etanol sobe em 12 estados, mas perde competitividade frente à gasolina
Levantamento da ANP mostra alta média de 0,22% no país; biocombustível não foi vantajoso em nenhum estado na semana
Os preços médios do etanol hidratado variaram de forma diferente entre os estados brasileiros na semana encerrada em 14 de fevereiro, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Os dados, compilados pelo AE-Taxas a partir das pesquisas realizadas em postos de combustíveis de todo o país, mostram que houve aumento em 12 estados e no Distrito Federal, redução em nove estados e estabilidade em outras quatro unidades da federação. No Amapá, não houve coleta de preços no período.
Na média nacional, considerando todos os postos pesquisados pela ANP, o preço do etanol teve leve alta de 0,22% em relação à semana anterior. O valor passou de R$ 4,64 para R$ 4,65 por litro. A variação é pequena, mas indica uma tendência de estabilidade com leve pressão de alta no período analisado.
Em São Paulo, que concentra o maior número de postos avaliados e é o principal produtor e consumidor de etanol do país, o movimento foi diferente do observado na média nacional. No estado, o preço médio recuou 0,22%, passando de R$ 4,47 para R$ 4,46 por litro. Por ser o maior mercado do biocombustível, as oscilações registradas em território paulista costumam ter peso relevante na formação da média brasileira.
Entre as unidades da federação, o Distrito Federal apresentou a maior alta percentual da semana. O preço médio subiu 10,15%, saltando de R$ 4,63 para R$ 5,10 por litro. Já a maior queda foi verificada em Alagoas, onde o etanol ficou 1,65% mais barato, com recuo de R$ 4,86 para R$ 4,78 por litro.
O levantamento também detalha os valores extremos encontrados nas bombas. O menor preço individual registrado em um posto foi de R$ 3,86 por litro, em São Paulo. No outro extremo, o maior valor observado foi de R$ 6,83 por litro, no Rio Grande do Sul. Essas diferenças evidenciam a variação significativa de preços entre regiões, influenciada por fatores como logística, tributação estadual e dinâmica de oferta e demanda.
Ao analisar as médias estaduais, Mato Grosso do Sul apresentou o menor valor médio do país, com R$ 4,25 por litro. Rondônia, por sua vez, registrou a média mais elevada, de R$ 5,50 por litro.
Competitividade
Além de acompanhar os preços absolutos, a ANP também calcula a chamada paridade entre o etanol e a gasolina, indicador utilizado para avaliar a competitividade do biocombustível. De forma geral, considera-se que o etanol tende a ser economicamente vantajoso quando seu preço corresponde a até 70% do valor da gasolina, devido à diferença de rendimento energético entre os dois combustíveis.
Na semana encerrada em 14 de fevereiro, o etanol não foi considerado competitivo em nenhum estado brasileiro, com base nesse parâmetro tradicional. Na média nacional, o biocombustível apresentou paridade de 73,81% em relação à gasolina, percentual acima do patamar de referência.
Executivos do setor, no entanto, observam que esse limite de 70% pode variar de acordo com o tipo de veículo e as condições de uso. Em alguns modelos mais modernos, o desempenho do etanol pode tornar o combustível competitivo mesmo quando a paridade supera esse índice, embora o parâmetro continue sendo amplamente utilizado como referência pelo mercado e pelos consumidores.