Portos
Vibra investe mais de R$ 100 milhões e expande base em Suape
Estrutura operada em modelo de pool aumenta eficiência, eleva capacidade de movimentação e apoia transporte marítimo de combustíveis
A Vibra concluiu a ampliação de sua base no Complexo de Suape, em Pernambuco, em um movimento voltado à expansão da capacidade logística no Nordeste e ao aumento da oferta de infraestrutura para distribuição de combustíveis na região. A unidade, instalada em um dos principais polos portuários do país, opera em modelo de pool logístico — sistema no qual empresas compartilham instalações e estruturas operacionais — reunindo Vibra, Raízen e Ipiranga. Ao todo, foram investidos mais de R$ 100 milhões no complexo.
Com a ampliação, a capacidade total de armazenagem da base passou de 142,5 mil metros cúbicos (m³) para 247,9 mil m³. O aumento decorre da construção de seis novos tanques com capacidade individual de 14 mil m³ cada, projetados para operar de forma flexível entre etanol anidro — utilizado na mistura obrigatória à gasolina — e gasolina. Também foram instalados um tanque de 10 mil m³ destinado ao diesel S10, combustível com menor teor de enxofre utilizado principalmente em veículos pesados e máquinas, e outro tanque de 10 mil m³ voltado ao armazenamento de querosene de aviação (QAV), empregado no abastecimento de aeronaves.
Com esse novo arranjo, a Base de Suape passa a ser a unidade da Vibra com maior volume de tancagem no país. A empresa informa que a ampliação reforça a função do terminal como hub logístico, isto é, como ponto central de recebimento, armazenamento e redistribuição de combustíveis, especialmente em operações que envolvem navios-tanque e posterior distribuição terrestre para diferentes estados do Nordeste.
Segundo a companhia, o projeto integra seu plano anual de investimentos em infraestrutura logística, que varia entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões em todo o país. A estratégia busca ampliar a resiliência da rede — conceito que envolve capacidade de manter o abastecimento mesmo diante de variações de demanda ou de eventuais interrupções logísticas — além de elevar eficiência operacional e sustentar o crescimento das operações.
A ampliação também contemplou a área de expedição de combustíveis, responsável pelo carregamento de caminhões-tanque que abastecem postos, aeroportos e clientes industriais. Foram instaladas três novas plataformas de carregamento no sistema bottom loading, modelo em que o combustível é transferido para o caminhão por meio de conexões na parte inferior do tanque do veículo. Esse sistema é considerado mais seguro e eficiente, pois reduz a emissão de vapores, minimiza riscos de acidentes e permite maior controle operacional. Com a expansão, a base passa a contar com dez ilhas de carregamento.
Subestação
No campo da infraestrutura de apoio, o complexo recebeu uma nova subestação de energia elétrica modular e compacta, responsável por garantir fornecimento estável para as operações da base. Também foram implantados um separador de água e óleo — equipamento utilizado para tratar efluentes industriais, evitando que resíduos oleosos sejam lançados no meio ambiente —, um novo pátio de bombas para movimentação interna dos combustíveis e uma nova portaria de acesso.
O sistema de combate a incêndio foi estruturado de forma autônoma. Ele opera com um tanque dedicado de água com capacidade de 10 mil m³, quatro motores e linhas exclusivas de abastecimento, o que permite funcionamento independente da rede pública e garante maior autossuficiência operacional em situações de emergência.
De acordo com o vice-presidente executivo de Operações da Vibra, Daniel Drumond, o projeto ampliou a capacidade de movimentação de produtos na unidade, com destaque para os biocombustíveis. “Trata-se de uma entrega desafiadora, realizada com alto padrão técnico e de segurança, em uma operação contínua e complexa”, afirmou.
O modelo de pool logístico adotado em Suape prevê o compartilhamento da infraestrutura física — como tanques, dutos internos, sistemas de bombeamento e carregamento — entre as três distribuidoras, mantendo-se a independência comercial de cada empresa. A lógica é diluir custos fixos, evitar duplicação de investimentos e utilizar de forma mais intensiva a estrutura já instalada no terminal.
A expansão da Base de Suape também se conecta à estratégia de cabotagem da Vibra — modalidade de transporte marítimo realizada entre portos do mesmo país. O terminal é ponto central da rota Sul/Sudeste–Nordeste, utilizada para o transporte de etanol, biodiesel e derivados de petróleo. Segundo a companhia, o uso crescente da cabotagem nessa rota tem substituído milhares de viagens rodoviárias de longa distância, reduzindo custos logísticos e emissões de dióxido de carbono (CO₂).