Aviação
Força Aérea Brasileira começa a atuar com caça supersônico de origem sueca
F-39 Gripen vai atuar na capital federal e na defesa da soberania nacional; ele é equipado com mísseis e pode atingir mais de 2 mil km por hora
O caça mais moderno da Força Aérea Brasileira começou a atuar, pela primeira vez, no alerta de defesa aérea do Planalto Central. A operação teve início na Base Aérea de Anápolis e amplia a proteção do espaço aéreo na região de Brasília.
A entrada em operação do F-39 Gripen representa um novo patamar de capacidade operacional para a FAB. De origem sueca, o caça supersônico combina alta tecnologia embarcada, rapidez de resposta e elevado poder de defesa, reforçando a prontidão da aviação de combate brasileira.
“Hoje é o dia em que a aeronave F-39 inicia o serviço de alerta de defesa aeroespacial brasileiro. Essa missão consiste em fazer a defesa do espaço aéreo brasileiro. A aeronave está pronta para decolar, caso seja acionada, tendo como finalidade a missão-fim da nossa Força, que é garantir a soberania do espaço aéreo. Devido à tecnologia embarcada nessa aeronave, ela tem alto poder dissuasório, e coloca o Brasil na vanguarda em termos de capacidade de defesa aérea”, diz o Comandante da BAAN, Tenente-Coronel Aviador André Navarro de Lima Guimarães.
Dez aeronaves já estão à disposição na Base Aérea de Anápolis para a defesa da capital federal e de áreas estratégicas do país. Em caso de acionamento, o Gripen pode chegar a Brasília em menos de cinco minutos, ampliando significativamente a capacidade de interceptação e resposta a eventuais ameaças.
O caça pode atingir até 2,4 mil quilômetros por hora, o equivalente a duas vezes a velocidade do som, e tem autonomia de aproximadamente duas horas e meia de voo. A aeronave também conta com a capacidade de reabastecimento em voo, o que amplia seu alcance e tempo de permanência em missão.
Parceria
O projeto do Gripen foi desenvolvido em parceria com a empresa sueca Saab, com transferência de tecnologia para companhias brasileiras, entre elas a Embraer. As discussões sobre a modernização da frota de caças da FAB tiveram início ainda na década de 1990, mas o contrato com a Saab foi firmado apenas em 2014.
Ao todo, estão previstas 36 aeronaves, que serão entregues até 2032, em um contrato estimado em cerca de US$ 4 bilhões. Parte dos caças está sendo montada no Brasil, fortalecendo a indústria nacional de defesa e ampliando a capacitação tecnológica do setor.
Resposta rápida
Segundo o coordenador de operações da BAAN, Tenente-Coronel Aviador Gustavo de Oliveira Pascotto, sempre que o sistema de defesa aérea detecta uma aeronave que, por algum motivo, não está cumprindo as regras de tráfego aéreo, uma ordem de acionamento é emitida.
“Em Anápolis, toca uma sirene nas proximidades onde a equipe de prontidão se encontra, e a partir daí, eles têm poucos minutos para virem correndo para a aeronave, para o piloto terminar de se equipar, colocar o capacete e fazer suas conexões com rádio de comunicação e sistema de oxigênio, por exemplo, fazer os checks, ligar a aeronave, verificar o funcionamento adequado de todo o avião e, a partir daí, solicitar autorização para os órgãos de controle e decolar”, conclui.