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Investimentos no setor ferroviário brasileiro alcançam R$ 40 bilhões
Volume entre 2023 2025 é 60% superior ao período anterior (2019-2022); nova política de outorgas reflete cenário positivo, segundo governo
O setor ferroviário brasileiro recebeu R$ 40 bilhões em investimentos entre 2023 e 2025, montante 60% superior aos R$ 25 bilhões aportados entre 2019 e 2022, segundo o Governo Federal. A aceleração dos recursos acompanha a retomada de projetos paralisados e o lançamento da primeira Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, que estrutura a carteira de ativos para leilão.
A mudança no volume de investimentos reflete diretamente na movimentação de cargas. O transporte ferroviário alcançou 555,48 milhões de toneladas úteis em 2025, crescimento de 2,57% sobre 2024 e terceiro recorde consecutivo do modal no país.
O secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, relaciona o desempenho ao planejamento e à previsibilidade regulatória. “Pela terceira vez consecutiva, batemos o recorde de movimentação de cargas por ferrovias no Brasil, em um momento em que também registramos um volume de investimentos privados histórico no setor. Esses resultados mostram que o planejamento, a previsibilidade regulatória e o diálogo com o mercado estão produzindo efeitos concretos”, destacou.
Para 2026, o setor recebe a previsão de R$ 140 bilhões em novos investimentos com a realização de oito leilões até o fim do ano. A projeção total alcança R$ 600 bilhões injetados no modal nos próximos anos, volume que consolida as ferrovias como prioridade na infraestrutura logística nacional.
TRANSNORDESTINA
De acordo com o Governo Federal, a Transnordestina representa o caso mais emblemático da retomada de investimentos no setor. As obras recomeçaram em 2023 e registraram 71% de avanço físico, com montante estimado em R$ 15 bilhões. Desse total, R$ 11,3 bilhões já entraram no projeto, o que representa aproximadamente 28% dos R$ 40 bilhões investidos no setor ferroviário entre 2023 e 2025.
O cronograma prevê conclusão da Fase 1 em 2027 e da Fase 2 em 2028. A ferrovia conecta o interior do Nordeste aos portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco, ampliando a capacidade de escoamento da produção regional e reduzindo custos logísticos.
O projeto integra a estratégia do governo federal para ampliar a malha logística nacional. Além da Transnordestina, o Ministério dos Transportes estrutura soluções para cinco concessões de malhas em final de vigência: Malha Sul (SP, PR, SC e RS), Malha Oeste (MS e SP), Ferrovia Centro-Atlântica (SE, BA, MG, ES, RJ, SP, GO e DF), Ferrovia Tereza Cristina (SC) e Ferrovia Transnordestina Logística (MA, PI, CE, RN, PB, PE e AL).
SETOR AGRÍCOLA
O levantamento da Infra S.A. sobre a movimentação por trilhos em 2025 aponta o setor agrícola como o de melhor desempenho. A categoria cresceu 4,62% e reflete a safra recorde do país, que demanda maior capacidade de escoamento pelos trilhos.
A expansão do segmento agrícola contrasta com a concentração histórica em minério de ferro, que alcançou 401,35 milhões de toneladas úteis, alta de 2,72%. O produto responde por aproximadamente 72% do volume total transportado pelas ferrovias brasileiras. Outras mercadorias cresceram 3,43%, incluindo produtos industrializados e insumos diversos.
Nos trajetos de longa distância, os grãos de Mato Grosso, principal produtor nacional, seguem ao Sudeste e aos portos da região por meio das ferrovias. O modal reduz a circulação de caminhões nas estradas e a emissão de gases de efeito estufa, otimizando a logística e reduzindo custos operacionais.
O novo modelo de outorgas cria diretrizes de planejamento, governança e sustentabilidade, mantendo a responsabilidade fiscal. O Ministério dos Transportes administra 14 concessões vigentes e viabilizou a primeira autorização ferroviária após revisar o Marco Legal das Ferrovias em 2023.
O governo também encaminhou à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) as diretrizes para realização do primeiro chamamento público de trechos ferroviários. O modelo coloca à disposição do setor privado o Corredor Minas-Rio, atualmente classificado como linha ociosa. A iniciativa serve de referência para os próximos chamamentos e pode viabilizar a retomada de até 10 mil quilômetros da malha ferroviária federal.