Região Norte
Estudos sobre concessões de hidrovias na Amazônia seguem, diz ministro
Declaração foi feita durante Seminário Pianc Brasil, que ocorre hoje (10), no auditório da Confederação Nacional da Indústria (CNI)
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou nesta terça-feira (10) que os estudos sobre concessões de hidrovias na Amazônia continuam em andamento, mesmo após a revogação do decreto que previa a inclusão de alguns desses projetos no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI). A declaração foi feita durante o I Seminário Pianc Brasil – Diálogo Técnico: Diretrizes Globais e Desafios Nacionais – Impacto em Portos e Hidrovias, realizado no auditório da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Segundo o ministro, a decisão do governo federal de revogar o decreto não interrompeu os trabalhos conduzidos pela Secretaria Nacional de Hidrovias, que segue responsável pelos estudos técnicos relacionados aos projetos. O decreto revogado pelo governo previa a realização de análises técnicas, ambientais e logísticas para avaliar a concessão à iniciativa privada de hidrovias em rios da região amazônica, incluindo o Tapajós, o Madeira e o Tocantins. A medida acabou sendo anulada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o aumento das pressões políticas e de mobilizações de entidades civis e comunidades tradicionais contrárias aos projetos.
A resistência aos projetos ganhou força principalmente na região amazônica. Em fevereiro, indígenas organizaram protestos contra o decreto e chegaram a ocupar o escritório da multinacional do agronegócio Cargill no Porto de Santarém (PA), às margens do rio Tapajós. Também houve manifestações em São Paulo e em Brasília, onde um grupo de indígenas chegou a manter um acampamento na capital federal.
Diante da escalada das mobilizações, o governo decidiu revogar o decreto que autorizava os estudos para inclusão das hidrovias no PPI. A avaliação no governo foi de que o ambiente de tensão e o risco de novos confrontos exigiam a suspensão da medida.
O governo federal também decidiu adiar para 2027 a maior parte dos leilões das primeiras concessões de hidrovias do país, o que representa atraso de até dois anos em relação ao cronograma inicialmente previsto. Entre os projetos afetados está a concessão da hidrovia do rio Madeira, considerada uma das mais avançadas da carteira da pasta. Na melhor das hipóteses, a expectativa do governo é que ainda neste ano sejam enviados ao Tribunal de Contas da União (TCU) os editais dessas concessões para análise. As datas efetivas dos leilões, no entanto, permanecem indefinidas.
