Região Nordeste
Região Nordeste gera 6.134 empregos formais em janeiro
Construção cria 9.716 vagas e Serviços gera 9.448 postos, compensando retração de 10.124 empregos no Comércio durante o primeiro mês do ano
O Nordeste registrou saldo de 6.134 empregos formais em janeiro, volume que representa 5,46% do total de vagas criadas no Brasil no período, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O país contabilizou 112.334 novos postos com carteira assinada no mês.
Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, o resultado marca crescimento de 6,47% em relação a janeiro de 2025, quando o Nordeste havia registrado saldo de 5.761 vagas. Apesar da expansão no comparativo anual, o saldo regional concentrou-se em poucos estados, revelando dinâmicas econômicas distintas dentro da região.
A Bahia praticamente respondeu sozinha pelo resultado da região ao criar 6.124 postos, o equivalente a 99,8% das vagas geradas. Os outros quatro estados com saldo positivo contribuíram com volumes bem menores. O Maranhão criou 2.516 empregos, seguido pelo Rio Grande do Norte com 1.164 vagas, Pernambuco com 889 postos e Sergipe com 293 vagas.
Esses números, somados, não alcançam o resultado isolado da Bahia. Na direção oposta, Alagoas, Ceará, Piauí e Paraíba fecharam vagas no período, resultado que reforça a divisão entre estados que expandem e estados que retraem o emprego formal.
SETORES
A explicação para o saldo positivo regional, ainda que concentrado, está na composição setorial dos empregos criados. Construção e Serviços impulsionaram o resultado ao gerarem juntos mais de 19 mil vagas, compensando perdas em outros setores. A Construção criou 9.716 postos, enquanto Serviços gerou 9.448 vagas formais.
A especialista da Coordenação de Avaliação e Estudos da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Gabriela Nascimento, contextualiza esse movimento.
“Enquanto o Comércio registra retração sazonal de 10,1 mil postos, os setores de Construção e Serviços compensam o cenário com a criação de mais de 19 mil novos empregos no Nordeste”, explica.
O desempenho da Construção diferenciou-se por alcançar todos os nove estados com saldo positivo, único setor a conseguir esse resultado. Pernambuco liderou com 3.069 vagas, seguido pela Bahia com 2.722 postos. Os dois estados responderam por 59,6% do saldo do setor no Nordeste, mas a distribuição entre todos os estados indica que obras de infraestrutura ou construção civil ocorrem simultaneamente em toda a região.
Rio Grande do Norte criou 883 vagas na Construção, Paraíba gerou 816, Ceará abriu 785, Sergipe registrou 457, Maranhão criou 372, Alagoas gerou 353 e Piauí abriu 259 postos.
Esses números explicam o porquê estados com saldo geral negativo, como Ceará, Paraíba e Alagoas, ainda assim contribuíram positivamente em pelo menos um setor.
O setor de Serviços, que gerou volume próximo ao da Construção, apresentou concentração geográfica diferente. A Bahia registrou 4.324 vagas e o Maranhão criou 2.241 postos em termos absolutos.
Quando considerado o peso proporcional no saldo total de cada estado, Sergipe lidera com 170,3%, indicando que o setor foi responsável por mais empregos do que o saldo geral do estado, ou seja, compensou perdas em outras atividades.
Rio Grande do Norte registrou peso de 90,3% no saldo estadual, Maranhão de 89,1%, Ceará de 80,9% e Bahia de 70,6%.
Dentro do setor, o segmento de Atividades Administrativas e Serviços Complementares concentrou quase metade da expansão. O segmento criou 4.652 postos, cerca de 49,2% do saldo setorial na região. Bahia e Rio Grande do Norte responderam por 87,5% desse resultado com 3.290 e 783 vagas, respectivamente.
Saúde Humana e Serviços Sociais completou o desempenho positivo do setor ao registrar saldo de 2.476 empregos formais no Nordeste.
O contraponto aos setores em expansão veio do Comércio, que apresentou a maior retração regional com perda de 10.124 postos de trabalho. O fechamento caracteriza padrão sazonal do início do ano, quando o setor reduz quadros após o movimento da temporada de fim de ano. Apesar do volume negativo, o saldo representa recuo 3,8% menor do que o registrado no mesmo período de 2025, quando o setor fechou 10.531 vagas.
O fechamento ocorreu em todos os estados nordestinos. Ceará liderou os déficits com perda de 3.052 postos, seguido pela Bahia com fechamento de 2.924 vagas e Pernambuco com perda de 1.302 postos. A retração no Comércio explica por que estados com desempenho positivo na Construção e Serviços ainda assim registraram saldo geral negativo.
A indústria também fechou 1.481 postos no mês, resultado que se soma à retração comercial. Apenas quatro estados tiveram resultado positivo: Bahia criou 1.022 vagas, Sergipe gerou 268, Rio Grande do Norte abriu 243 e Piauí criou 228 postos. Os demais estados fecharam vagas industriais em janeiro, período em que o setor tradicionalmente reduz operações.
O setor agropecuário completou o quadro de retrações ao fechar 1.425 vagas. O desempenho negativo generalizou-se pela região, com compensação parcial da Bahia, que criou 980 postos, e do Maranhão, com 55 vagas.