Brasil Export
Pernambuco exporta mais automóveis do que açúcar pela primeira vez na história
PIB do Estado cresceu 4,9% em 2024, acima da média nacional, o maior índice dos últimos 15 anos
Em 2010, o açúcar e seus derivados lideravam a pauta de exportações de Pernambuco. Em 2025, o primeiro lugar pertence aos automóveis e partes de automóveis. A comparação entre as duas balanças comerciais foi um dos dados centrais do painel “Pernambuco em Foco | Panorama sobre o Ambiente de Negócios no Estado”, realizado na última quinta-feira (5) no Recife, durante o Pernambuco Export, evento promovido pelo Grupo Brasil Export.
Os palestrantes foram a secretária executiva de Atração de Investimentos e Estudos Econômicos do Estado de Pernambuco, Amanda Aires, e o gerente de Políticas Industriais da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Mauricio Laranjeira.
“O volume de valor agregado que é alcançado quando um estado deixa de exportar açúcar e passa a exportar produtos de maior valor agregado é muito importante. Outras empresas vendo essa orientação vêm para cá, outras empresas se interessam em vir para cá”, disse Amanda.
A mudança na pauta exportadora ocorre dentro de um ciclo mais amplo de reorganização fiscal e de investimentos. Entre 2023 e 2026, o governo de Pernambuco destinou 25 bilhões de reais a obras de infraestrutura; rodovias, portos e aeroportos. Em paralelo, o investimento privado anunciado no período soma 35 bilhões de reais. Para Amanda Aires, a equação é direta: “O privado só investe quando existe uma perspectiva de crescimento econômico real dentro daquele estado”.
A secretária também detalhou o movimento de reorganização das contas públicas que antecedeu a expansão dos investimentos. Segundo ela, o governo reduziu os gastos de custeio para liberar recursos destinados a infraestrutura, saúde, educação, segurança pública e programas sociais. “Nós estamos falando de um estado que inicialmente organizou a casa, reduziu os gastos profundamente nos termos de gastos do dia a dia, e agora expande os investimentos”, afirmou.
Dentro dessa lógica, a concessão da Compesa, concluída no ano passado, tornou-se um exemplo citado por Aires. A operação gerou um compromisso de 3,5 bilhões de reais a serem pagos pela concessionária ao governo de Pernambuco, com o valor integralmente destinado à produção de saneamento.
O estado, que já investe 25 bilhões em infraestrutura geral, precisaria de outros 30 bilhões apenas para universalizar o saneamento básico, valor inviável sem a participação privada. “Quando eu tenho acesso ao saneamento básico, eu preciso menos da minha rede de saúde, porque as pessoas adoeçam menos. É todo um planejamento organizado para que o estado seja alvo de investimentos de empresas privadas”, disse a secretária.
Indústria
Mauricio Laranjeira, da Fiepe, apresentou o peso do setor industrial no comércio exterior do estado. Em 2024, Pernambuco exportou 2,5 bilhões de dólares. A indústria de transformação respondeu por 2,2 bilhões desse total, 90% do volume exportado. No lado das importações, o estado movimentou 7,2 bilhões de dólares, dos quais 7 bilhões partiram da indústria de transformação.
“Pernambuco tem um tecido industrial muito interessante e uma mão de obra já muito acostumada a trabalhar com a indústria”, disse Laranjeira.
O polo automotivo produziu 250 mil veículos em 2024, com novos investimentos em andamento. O sistema Fiepe, por meio do Senai, capacitou trabalhadores para o setor, em parte, egressos da cadeia da cana-de-açúcar. Laranjeira destacou o alcance social dessa transição: “Isso é uma mudança muito grande na vida das pessoas, e nós somos uma indústria importante para a transformação da vida das pessoas”.
As exportações pernambucanas cresceram 16% entre 2024 e 2025, puxadas pelos veículos destinados principalmente à América Latina. O acordo Mercosul-União Europeia, na avaliação de Laranjeira, abre caminho para ampliar essa participação no mercado europeu. A Fiepe ainda mantém um Centro Internacional de Negócios voltado a auxiliar empresas pernambucanas a exportar e importar.
O panorama industrial do estado envolve 21.395 estabelecimentos, 345 mil vínculos (empregatícios diretos e uma composição setorial que inclui alimentos e bebidas responsáveis por cerca de um terço da indústria de transformação), polo petroquímico, vinícolas no Vale do São Francisco, cervejarias na Mata Norte, além de tecnologia da informação concentrada no Porto Digital, com mais de 475 empresas e 20 mil profissionais. O PIB de Pernambuco cresceu 4,9% em 2024, acima da média nacional, o maior índice dos últimos 15 anos, com uma economia que supera 289 bilhões de reais e uma população de 9,5 milhões de habitantes.